Palestras Sobre Drogas

Há 12 anos sou voluntário na área de Dependência Química, atuando no tratamento por meio de Comunidade Terapêutica. Tenho alguns livros publicados “Drogas um vale escuro e grande desafio para família" e "O amor vence as Drogas”, e mais de uma centena de Artigos relacionado a este tema.


Faço palestra sobre Dependência Química. Aqueles que desejarem basta entrar em contato pelo e-mail ataide.lemos@gmail.com


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A guerra das drogas deu uma trégua.


Muitas pessoas estão felizes com o que houve no complexo do Alemão e tantas outras comunidades em relação à intervenção do Estado na cidade do Rio de Janeiro, acabando com o reduto dos traficantes. Realmente, foi um golpe dado a eles que mandavam naquelas comunidades e também acabando com o poderio deles.

Porém é importante saber que toda esta realidade que se criou de paz transparente é uma situação provisória, por uma razão muito simples, ou seja, destruiu, desmontou, desarticulou estes donos do trafico, mas infelizmente, surgirão novos traficantes, pois se eliminou os que vendiam as drogas, mas os usuários e dependentes continuam a existir e continuarão, portanto, outros traficantes surgirão para manter seus prazeres e dependências.

É importante, olhar para esta realidade voltando a alguns fatos do passado, inclusive que ocorreu no Rio em relação ao jogo do bicho. Muitos bicheiros foram presos, outros morreram e pergunto: acabou o jogo do bicho? Certamente que não, pois muitos são viciados em jogos e não deixam de fazerem suas fezinhas. Mas, o interessante é nunca mais se falou neles, como se tivessem acabado com a jogatina.

Em relação às drogas é a mesma situação e ainda pior, ou seja, há muitos usuários de drogas que tem grande poder aquisitivo. Há muitos políticos, empresários, artistas que continuarão usando drogas e pagarão o preço que o mercado exigir para manter seu uso. Com a queda de muitos traficantes a cotação da droga triplicará estimulando muitos empresários a investir neste negocio ilícito suscitando novos traficantes.

Como este comercio ressurgirá não há como prever. Em que Estados firmarão suas bases também não da para saber, mas algo sabe, ou seja, ela ressurgirá, pois como os usuários e dependentes continuarão e há muitos empresários que gostam de lucros fáceis e há muitos policiais e pessoas do poder público que se corrompem com facilidade.

O grande trabalho do Estado é minimizar no máximo o quadro de violência que o trafico produz, ou seja, é fundamental que o Estado trabalhe para que adolescentes não sejam novamente recrutados tornando soldados dos novos traficantes que surgirão. É necessário que o Estado intervenha promovendo políticas de saúde, sociais, cultural para esta população de risco afastando-as o máximo do pode dos traficantes. Não há duvida que a situação do Rio de Janeiro tornou-se insustentável devido ao descaso do Estado, que preferiu compactuar com o crime através de sua omissão.

Ataíde Lemos

domingo, 28 de novembro de 2010

A violência das drogas



Quando vejo as cenas do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, não consigo deixar de ficar perplexo ao ver tantos jovens entrando neste caminho, seja como aviões, sejam como soldados dos traficantes. Jovens que são escudos dos donos do tráfico. Jovens que as imagens mostram são pobres, moram em barracos vivendo sem o mínimo de conforto defendendo a criminalidade. Jovens entre seus 15 a 30 anos que na maioria das vezes são de famílias desestruturadas e que não conseguem discernir com racionalidade as conseqüências de suas ações diante a criminalidade.

São jovens que tem como heróis os vilões e bandidos da sociedade. São jovens usados como escudos humanos pelos grandes traficantes e odiados pela sociedade por se apresentarem e praticarem as barbáries através do comando de seus superiores. Jovens que enveredam por caminhos que tem como fim; a morte precoce, o anonimato e alegria da sociedade pela tranqüilidade que causa a cada tombamento de um.

Não quero defender estes jovens, mas não dá para ficar omisso ao ver que muitos destes entram nesta vida pela ausência do Estado, pela falta de oportunidades, pela ostentação do luxo na miséria, pelo vicio e que muitas vezes são ocasionados pela omissão tanto do Poder público quanto da sociedade.

Muitos podem dizer; mas há tantos que sofrem deste mesmo mal e caminham por outros caminhos que não o da criminalidade. Pois bem, é bem verdade que muitos não trilham estes caminhos e ainda bem que são a maioria, no entanto, isto não pode ser desculpa para sombrear todas as mazelas proporcionadas pela ausência do Estado e pela omissão da sociedade que tem grande parte de responsabilidade e ainda dizer que para os empresários das drogas e para os usuários da classe alta eles são necessários.

As drogas alimentam a classe alta, ou seja, na grande maioria os chefões do tráfico são aqueles que não usam drogas, que moram nas regiões mais cara dos Estados, possuidores de jatinhos sendo pessoas acima de qualquer suspeita. Muitos barões que financiam as drogas são políticos, são altos executivos que usam testas de ferro nas comunidades carentes para aliciarem soldados e organizarem as venda e o consumo de drogas. Também é preciso dizer que os grandes consumidores de drogas moram nos  condomínios de luxo espalhado por todo o País. São também os grandes executivos, políticos, artistas e jovens da alta sociedade.

Em suma, é impossível imaginar que a violência em relação às drogas terminará e que muitos jovens não serão aliciados pelos traficantes, formando batalhões para defender a criminalidade e sendo ceifados em plena juventude, pois a droga é fonte de lucro e prazer sendo comercio interessante para muitos, e na outra ponta, é também uma fonte de votos para os políticos que sempre usam das desgraças para promoverem.

Em suma, o que observamos é que a luta contra as drogas não é de interesse político, nem dos grandes empresários das drogas e muitos menos da maioria dos consumidores da alta sociedade, pois as baixas serão apenas da sociedade carente sejam por invasões do Estado matando crianças, adolescentes, ou seja, pessoas inocentes e de bem em suas comunidades como eliminando os soldados rasos, que são vitimas tanto do Estado quantos dos traficantes.

Ataíde Lemos
Poeta e escritor

sábado, 27 de novembro de 2010

Soldados do tráfico


 
Jovens marcados para morrer
Com AR 15, sentem-se protegidos.
São pobres em fantasias iludidos
Acreditando-se que não há nada a perder.
 
Em cada esquina um novo soldado recrutado
Por traficantes que em sonhos os enganam
Pelas drogas ilícitas são tragados
Após dependentes os criminosos os alienam.  
 
Soldados empunhando armas nas mãos
Que vêem seus barões como heróis
E em tenra idade são tombados ao chão.
 
Soldados do tráfico, aliciados pela mentira
Por aqueles que os constroem semeando a ira
Na ilusão que o crime é nobre.

Ataíde Lemos

Entrevista Jorge Alves - Redução de Danos


Durante um período produzi e apresentei um programa de rádio intitulado “Viva Feliz Sem Drogas”, nesta oportunidade fiz varias entrevistas, muitas delas transcrevi para colocar em meu site. 

A que apresento abaixo é de um amigo que hoje mora no andar de cima, que vale a pena ser lida por trazer informações importantes sobre a política de Redução de danos, que ainda precisa ser mais trabalhado, explorada e implantada em relação a política sobre drogas.  


O programa Viva Feliz Sem Drogas entrevistou nesta semana (15/04/07) Jorge Alves, que atua como Redutor de Danos no Rio de Janeiro, também faz parte de varias organizações não governamentais como Associação Brasileira de Redução de Danos (ABORDA) e ainda varias outras entidades. É fundador e criador do fórum internacional de hepatite, ocupando atualmente uma cadeira no Conselho Estadual Antidrogas (CEAD) do Rio de Janeiro.

Jorge Alves, na sua juventude conheceu as drogas acabando mergulhando nelas e adquirindo como conseqüência algumas patologias como AIDS, hepatite. Isto o motivou engajar-se neste trabalho de prevenção e conscientização dos usuários de drogas como agente redutor de danos, evitando assim que, aqueles que não conseguem ou não querem parar com o uso não adquirem tais patologias como também ser um porta voz destes usuários para que a sociedade os reconheçam como cidadãos. Pois o fato de serem usuários de drogas ilícitas não os torna pessoas de segunda classe perdendo sua cidadania.

O tema especifico da entrevista foi a política governamental sobre Redução de Danos que é regulamentada no artigo 6º da Lei Sobre Drogas. Porém segundo Jorge a sociedade ainda é carente de informações sobre o que é Redução de Danos, e assim, acaba-se criando alguns preconceitos em relação a esta política confundindo os agentes redutores de danos como incentivadores ao uso de drogas. Enfim, confundir esta política que é governamental como apologia as drogas.

Aqui estão transcritos alguns pontos principais da entrevista

Jorge Alves – Redução de Danos (RD) é uma estratégia de saúde pública que tem como objetivo de reduzir a disseminação de agentes infecciosos como HIV, hepatites virais, doenças sexualmente transmitidas (DST) além de outros danos a saúde provocados por substancias psicoativas independentes sejam elas licitas ou ilícitas... A estratégia de Redução de danos iniciou no Condato de Roniston por volta de 1926 para conter um surto de hepatite, reapareceu por volta dos anos 70 na Holanda, onde alguns usuários de drogas já se organizavam para lutar por políticas mais tolerantes. Na década de 80 com o advento da AIDS a Redução de Danos retorna como estratégia de saúde para conter o avanço do vírus, também das hepatites e as DST. Atualmente a RD se preocupa em encaminhar aos serviços de saúde pessoas que fazem uso de drogas para fazerem testagem de HIV, hepatites e DST, também para terem noções de cidadania e direitos humanos e ainda fazem distribuição de materiais de prevenção que são os kits de redução de danos.

PVFSD – Como a RD é vista pelo governo e pela sociedade?

Jorge Alves – A RD esta inclusa no capitulo 6º da Lei Sobre Drogas... Na verdade há três maneiras para lidar com a questão das drogas. A primeira é a redução da oferta, que é trabalho polícia; a segunda é a redução da demanda que seriam as campanhas educativas para evitar o consumo e verificou-se que mais de 70% dos usuários não conseguiam ou não queriam parar de usar. Então foi elaborada uma resposta social de saúde publica para evitar que esta população venha ser infectada por estas patologias...
Quanto à sociedade ela carece ainda de informação sobre este assunto. Se você falar que um indivíduo vai chegar num local para fazer uma distribuição de seringas para evitar a disseminação da Aids, hepatites algumas pessoas podem confundir isto como incentivo ao uso, mas não é. Já foi visto que é muito mais barato para o governo e para as pessoas prevenir do que depois ter que tratar destas pessoas doentes – Até mesmo porque são doenças muito graves. Eu senti isto na pele e adotei isto como missão de vida, que é, lutar contra esta disseminação entre esta população usuária de drogas. Apesar de ser uma política governamental ainda há muita gente infelizmente que considera erroneamente a estratégia de Redução de Danos como um incentivo ou uma coisa assim... Ela surgiu depois que o Brasil tornou-se signatário universal dos direitos humanos.

PVFSD – Considerações finais.

Jorge Alves – As colocações finais que poderia dizer é algo que abrange o lado dos direitos humanos. No caso especifico da RD a própria consciência ética nos coloca num horizonte um tanto sinistro, pois, quando uma sociedade não reconhece o direito de uma pessoa que faz uso de drogas ilícitas, significa dizer que esta sociedade do ponto de vista ética está afirmando que umas pessoas são mais cidadãs que outras, portanto, a condição de cidadão passa a ser secundário em relação aos usuários de drogas ilícitas... No entanto, os usuários de álcool e de tabaco não têm sua cidadania negada na mesma intensidade do que os usuários de drogas ilícitas, simplesmente, porque fazem uso de drogas socialmente aceitas, ainda que, a dependência seja uma condição de saúde, ou seja, independente uma legalidade ou ilegalidade da drogas...A sociedade tem que articular respostas de saúde pública para estar protegendo estas pessoas também.

Finalizando, esta foi mais uma de varias entrevistas feita pelo programa Viva Feliz Sem Drogas com o intuito de levar aos internaltas a informação, pois somente através da comunicação que se podem eliminar os preconceitos criando uma condição favorável de conceitos e formação de opinião.

Ataíde Lemos, autor dos livros:
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas
Apostila: Educador e educando o que saber sobre as drogas

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Novo recomeço


Peço para que pare um instante
E dentro de você ficar a olhar,
Por um momento aproxime diante
De um espelho e fique a te observar.

Veja seu rosto como está desfigurado
Pálido, sujo, em estado lastimável
Volte ao tempo, olhe para teu passado
Quanto era alegre, bonito e saudável.

Um nó apertará a garganta e perdido
Ainda sem palavras para irá dizer a você
Que se arrependeu pelo caminho escolhido.

Digo com toda certeza que possível voltar
Talvez; não ser o mesmo como o de antes
Mas iniciar uma nova história doravante.



Ataíde Lemos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Deixar as drogas: uma questão de propósito


     Já escrevi vários artigos relatando as dificuldades encontradas por aqueles que se encontram dependentes das drogas para conseguirem vencê-la, como por exemplo, o grau de comprometimento biológico e psíquico- social, enfim, enlaçando toda a questão do histórico do dependente.

     Pois bem, quero levantar um outro pensamento sobre tal dificuldade, enfocando um outro aspecto, que me parece ser algo que também deve ser considerado. É comum conhecermos ex-dependentes que nunca passaram por determinado tratamento e um dia em suas vidas, resolveram e decidiram deixar de fumar, de beber, de usar drogas ilícitas e de fato deixaram. Certamente estes acontecimentos levantam questionamentos sobre as pessoas conseguirem se livrar da dependência e contribuem para manter o preconceito contra os dependentes e mesmo contra as clínicas e comunidades terapêuticas. Enfim, cria-se o tal conceito: se o fulano e o cicrano conseguiram parar, por que tem-se que internar? Isto é, mantem-se o estigma da falta de vergonha.

     Realmente é correto se afirmar:  “O dependente químico ou o alcoólatra  somente pára se ele quiser." Portanto não adianta o pai querer, o tio pedir, a casa dele cair, enfim, nada é capaz de fazer com que a pessoa deixe as drogas se essa vontade não partir dela. É uma decisão pessoal. O que acontece é que devido a determinados fatos, alguns tomam a decisão de parar por conta própria ou então recorrem a tratamentos.

     No caso daqueles que conseguem parar sem ajuda e sem tratamento, a  cura está muito condicionada a sua personalidade, podemos usar como exemplo: há pessoas que dizem: “não vou mais conversar com fulano” e nunca mais conversam! Portanto, há pessoas que dizem: “não faço” ou “faço” e cumprem o prometido.  Enfim, muitos deixam o álcool ou as drogas sem necessitar de nenhum tratamento, por uma determinação pessoal.

     Pois bem, por que então muitos procuram tratamento e poucos conseguem de fato parar? Respondo da seguinte maneira: muitos que procuram entidades e clínicas, no seu íntimo não estão com a convicção deste propósito. Muitos que procuram tratamento vão por questões circunstanciais e momentâneas. Procuram tratamento para agradar à família; para recuperar o organismo; para fugir da polícia ou por motivos de dívidas, enfim, procuram por mil motivos menos o de, de fato, deixarem as drogas ou o álcool. Sendo assim, não vão conseguir mesmo vencer as drogas.

     O trabalho das comunidades terapêuticas e das clínicas é resgatar a auto-estima e trabalhar o emocional, no entanto, isto ocorre  a partir da permissão do paciente, porém sem esta convicção de deixar as drogas ou o álcool, não é possível fazer nada. 

     As clínicas ou tratamentos para dependentes químicos procuram ajudar àqueles que desejam de fato deixar as drogas, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida. Isto é, ser um suporte emocional resgatando-lhes a força, através de uma análise e um propósito, para que o processo de abstinência não seja tão doloroso, como o que ocorre sem uma ajuda emocional e sem o conhecimento da doença e de suas conseqüências.
   

     Enfim, o pequeno índice de recuperação, se deve também ao fato de ter que haver um verdadeiro propósito daquele que deseja vencer as drogas ou o álcool, somando-se às questões bio-psico-sociais,  levando-se em consideração o histórico da pessoa, mas sobretudo, o seu verdadeiro desejo de parar de usar drogas.

          Revisão:
          Vera Lucia Cardoso

Ataíde Lemos; Poeta e Escritor
Autor dos Livros:
Drogas Um Vale Escuro Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas  

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Meu melhor presente



 
Meu melhor presente 
É ter você presente aqui.
Meu melhor presente 
É novamente sorrir
Por outra vez saber
Que voltou a ser feliz.
 
Meu melhor presente
É ver que ficou pra trás
Todo um triste passado 
Que não desejo mais 
E o tempo levará.
 
Meu melhor presente
É seu sorriso estampado
Após anos amordaçado 
Numa prisão sem fim.
Mas, agora junto a mim
Retorna teus planos.
 
Meu melhor presente
Não tenho como agradecer
Esta felicidade em te ver
Com novos sentimentos
Cheio de bons pensamentos.  


Ataíde Lemos

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Grupos de Apoio as Famílias de Dependentes Químico



Recebo vários e-mails de pessoas com problemas relacionados às drogas. Pessoas que às vezes tem um filho ou um cônjuge dependente, porém não sabem o que fazer e muito menos a quem recorrer. Normalmente, estas pessoas já se encontram co-dependentes em estágios avançados e precisam tanto ajudar seus entes como necessitam de ajuda a si próprios.

A única resposta que tenho como retorno a estes e-mails é pedir que insiram nos grupos de auto ajuda. Que recorram aos órgãos públicos para buscarem orientação, internações ou ainda procurem ajuda profissional. Enfim, para tratar dependência química é fundamental o tratamento conjunto entre o dependente e a família. Pois, a dependência química adoece todo o núcleo. É importante ressaltar que em determinados casos a dependência é conseqüência de uma estrutura emocional anterior a dependência tanto do dependente como da família.

No entanto, o grande problema é que; são poucas as cidades que possuem grupos de mutua ajuda ou há profissionais preparados para dar suporte e tratamento as famílias e portadores de dependência química. Também grande maioria das cidades não tem órgãos públicos preparados para assistirem os familiares corretamente. Em suma, o grande índice de dependência ou a falta de apoio ao tratamento e, conseqüentemente, às recaídas deve-se a falta de entidades civis e públicas de um modo geral. 

Por outro lado, recebo vários e-mails de diversas localidades, onde pessoas relatam a felicidade por terem superado as drogas em seus lares e que sentem vontade em fazer algo voluntariamente nesta área.

Hoje, o problema de dependência ocorre em todas as cidades, no entanto, faltam entidades para assistir familiares, neste sentido, é fundamentais pessoas que conseguiram vencer as drogas se unem somando os esforços e assim, criem entidades de apoio às famílias co-dependentes. Certamente esta atitude colabora tanto no fortalecimento daqueles que passaram por este drama, bem como é uma maneira de retribuírem a graça de terem seus entes recuperados. 

Pessoas podem perguntar; mas como iniciar tal trabalho? Pois bem, há entidades sérias como, por exemplo, o Amor Exigente, a Igreja Católica através da Pastoral da Sobriedade, mas há também inúmeras entidades de tratamentos que possuem grupos de mutua ajuda visando dar assistência às famílias. Sendo assim, o ideal é que, após as pessoas interessadas decidirem fazer algo em prol a esta causa se unam e busquem orientações nas entidades acima citadas ou em outras para formarem núcleos em suas cidades ou mesmo terem informações suficientes para fundarem seus próprios grupos.


Finalizando, é preciso que aqueles os quais passaram por este drama unam-se em prol esta causa, para que possam criar em todas as cidades grupos de auto ajuda para atenderem famílias dando o suporte emocional a elas. Não tenho duvidas que estas iniciativas alavancarão outros movimentos forçando as instituições  públicas darem suas respostas também.


Ataíde Lemos
Autor dos livros Drogas; Um Vale Escuro e Grande Desafio para Familia 
O Amor Vence as Drogas 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os debates sobre drogas em anos eleitorais



Todo período eleitoral, a maioria dos candidatos independente o cargo postulado levantam a bandeira contra as drogas, seus discursos são: “é preciso dar tratamento para os dependentes químicos e as suas famílias, combater o tráfico de drogas, etc, etc.”

Mostram a realidade das drogas sendo estritamente fieis aos acontecimentos, mostrando-se atualizados a tudo que está ocorrendo em termos das drogas e o sofrimento tanto dos dependentes químicos como os das famílias e a ausência do Estado. Suas plataforma políticas sobre este tema se estende deste o trafico, a demanda, prevenção, ao tratamento a reinserção social. Porém, passa-se a eleição e quando ao chegar o novo pleito observamos que o discurso é o mesmo, no entanto, tudo ficou no mesmo, ou melhor, piorou o quadro. Enfim, o que constatamos é que mais pessoas entraram nas drogas, mais famílias se encontram desprotegidas do Estado em relação ao tratamento de seus entes.

Diante este quadro a resposta que podemos deduzir é que falar em drogas conquista votos, pois hoje existe um enorme desespero da sociedade, de um modo geral, que está na busca de uma solução e quando aparecem políticos com discursos sentimentais, ou seja, vão fazer isto ou aquilo para minimizar esta triste realidade acabam por conquistar votos.

Se fizermos um diagnostico da realidade das drogas e da atuação do Estado, iremos chegar a dados lamentáveis tanto na sua ação junto às famílias como aos dependentes químicos em relação ao apoio e tratamento a elas, bem como sua ação às entidades que atuam nesta área.

Primeiramente, iremos constatar que o numero de centros específicos para tratamentos à dependência química oferecidos pelo Estado é pífio em relação à demanda. Também iremos constatar que sua atuação em termos de ajuda financeira as entidades não governamentais que atuam nesta área é quase que zero, deixando estas instituições praticamente sem condições mínimas necessárias para oferecerem tratamento de qualidade aos seus recuperandos. Enfim, uma total ausência do Estado que vem de muitos anos.

Há 12 anos que atuo nesta área e deste aquele período o ckak já se configurava como uma droga de efeito avassalador, porém se passou uma década e o discurso continua o mesmo, no entanto o que podemos ver é que ela aumentou de forma assustadora.

Durante todos estes anos o que pudemos observar é que, apenas houve Conferências e mais Conferências onde se promoveram vários documentos com diretrizes para se criar redes de proteção às famílias e aos dependentes químicos, porém todas estas diretrizes ficaram e ficam apenas no papel sem serem implementados com raríssimas exceções . Isto é fácil de se constatar quando as famílias procuram atendimentos tanto para elas quanto para seus entes.

Portanto, é necessário ficar atento de quais candidatos surgem os discurso de combate às drogas; observar o que tal candidato que aborta este tema já tem feito durante sua vida pública para minimizar o problema. Pesquisar se tal candidato faz algum trabalho ligado a esta área. Enfim, não ser iludido pelo sentimentalismo que naturalmente nos leva a acreditar em propagandas de campanha.

Ataíde Lemos

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Trabalhar a prevenção às drogas na Escola



Trabalhar a questão das drogas na Educação em nível de ensino fundamental e médio, penso que deva ser de formas especificas e direcionadas. Quando abordamos drogas, este tema é muito amplo e pode abrir leques para varias interpretações ou mesmo varias brechas para questionamentos contraditórios.

Uma das abordagens para se trabalhar na escola tal assunto é propiciar ao estudante adolescente, aos jovens de ensino médio aprenderem a relacionar consigo mesmo; aprenderem resolverem seus conflitos internos; criando perspectivas de vida saudável; incentivá-los correrem atrás de seus projetos motivando-o.

Cabe a escola orientar, abrir espaços dando meios para que os adolescentes e os jovens procurem lapidarem-se e assim terem condições de atingirem seus objetivos dentro de seus limites.

Uma sociedade é construída e avaliada pela Educação. Pessoa as quais recebem uma Educação de qualidade terão mais senso critico da vida, atingindo sem duvida patamares mais elevados de conceitos, de valores éticos, morais espirituais e de cidadania.

Seguindo esta linha de raciocino, o trabalho antidrogas deve ser continuo e sua abordagem não necessariamente deve centralizar sobre ela especificamente, mas oferecer e proporcionar alternativas de qualidade de vida – dentro desta qualidade de vida o aprender a lidar consigo mesmo e a busca de ideais.


Algo fundamental que seja necessário também é proporcionar aos adolescentes e jovens conhecerem seus limites sejam eles em quais forem – emocionais, físicos, financeiros e ao mesmo tempo passo a passo superá-los para assim conviverem com todas as características individuais, proporcionar também aprenderem a enfrentar e superar os fracassos e as limitações.

A Educação deve quebrar as barreiras do ensino, deve ser uma fonte de conhecimentos intelectuais, mas sobretudo ser uma fonte do desenvolvimento da individuação social de cada ser humano.

A partir do momento que o tema droga passar a ser trabalhado com muita eficácia, englobando direta ou indiretamente em todas as disciplinas curriculares, ser inserido psicologicamente de cada estudante, estará sendo incutida na formação da própria personalidade do homem como algo prejudicial e os mecanismos para superar a busca.

Todos os meios usados para que se faça a prevenção às drogas são de fundamental importância, o que deve ocorrer é uma sintonia entre estes meios. Pouco resolve uma vez a cada seis meses convidar palestristas se um trabalho preventivo resumir apenas nestas palestras como meio preventivo nas escolas. Este tipo de prevenção é apenas uma vertente.

Da mesma maneira é de grande importância o trabalho que o PROERD faz, promovendo curso nas escolas, mas é importante frisar que este curso se realiza apenas na 4ª e agora iniciando na 6ª series também. Da mesma forma, este curso realizado pelo PROERD é uma vertente. É importante que haja um cronograma de tais projetos em uma grade curricular fechando um ciclo anual que venha somar em outros projetos pedagógicos e não tê-los como linhas mestras apenas para trabalhar a prevenção.

É importante ter claro que a questão do uso de drogas é uma questão existencial, isto é, está inserido dentro do Ser humano, pois ela (droga), de certa forma faz com que a pessoa tenha prazer e externe suas sombras. Certamente, discursos contrários não atingem o jovem, então fundamental seja que proporcione este mesmo prazer através de atividades sadias ou mesmo ajuda-los dando-lhes subsídios para que os adolescentes e jovens aprendam lidarem com suas sombras.

Ataíde Lemos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ainda há tempo



Em busca da liberdade
Trancafiou-se numa prisão
Indo atrás da felicidade
Deu-se de encontro com a frustração
Não aceitando a diversidade
Abraçou-se a solidão
Revoltando-se contra a sociedade
Tornou-se só na escuridão.

E assim, perdeu-se no tempo
Foram-se embora bons momentos
Restando ressentimentos
Deixando doente os sentimentos.

Desejou-se tanto que se perdeu
Chora pelos cantos, se arrependeu
De tudo que quis nada aconteceu
Ou melhor, somente sofreu.

Mas há uma esperança a se agarrar
Levante a cabeça e vai procurar
Alguém que possa te ajudar
Desta doença se libertar.

Mesmo que o dia se escureceu
Ainda que a luz não apareceu
Acredite que não se perdeu
Pois tens o amor de Deus.

Ataíde Lemos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As famílias e as drogas


Numa conversa com meu filho de 15 anos sobre um ex-colega dele que fora preso, ele me contara que este adolescente está vendendo drogas. Ao aprofundamento de nosso dialogo me relatava sobre fatos que presencia em seu dia a dia sobre este assunto.

Fiquei sereno e dando liberdade para que expusesse o cotidiano em relação às drogas em meu bairro. Fatos que ele, como garoto que brinca em quadras de esportes, estuda em colégio público, que interage com as pessoas presencia rotineiramente.

Voltando ao caso deste adolescente, que está hoje traficando, lembro-me que desde 10 até aos 13 anos este adolescente brincava com meu filho em minha casa, faziam e soltava pipas, até que ele se afastou e hoje não andam mais juntos, embora se conheçam e se cumprimentam. Meu filho disse ter afastado dele devido estar nesta vida.

Pois bem, a finalidade de descrever este acontecimento é promover uma reflexão; nós pais, não temos como colocar nossos filhos numa bolha ou redoma e mantermos de olhos fixos 24 horas todos os dias. Não temos como sentar ao lado deles numa sala de aula e ficar o tempo todo junto a eles, estando sempre aos lugares que estão. Nem mesmo com toda tecnologia oferecida, não há como monitora-los o tempo todo.

Com a medida em que há evolução da sociedade acontece, segundo ocorrem as mudanças culturais e também as estruturas familiares, nossos filhos vão conquistando mais espaços, terão mais liberdade ficando vulneráveis como terão varias opções de escolhas de vida; opções estas, que muitas vezes estão em desacordo com suas maturidades.

É preciso que os pais também sejam conscientes que as drogas cada vez mais estarão acessíveis aos seus filhos; esta é uma realidade que não há como evitar. Embora, possa haver políticas que visam o seu combate é impossível que ela (droga) não se expande chegando às nossas ruas, vizinhos, etc. – esta já é uma realidade.

Enfim, como conseguir dar uma estrutura emocional para os filhos diante toda esta realidade, para que eles possam saber fazer escolhas certas, evitando assim, envolver-se com drogas? Certamente, este é um grande desafio da família, da sociedade e do Estado enquanto promotor de políticas públicas de prevenção às drogas.

Os desafios dos pais estão na formação do caráter, no desenvolvimento espiritual e na educação quanto aos valores universais do Ser humano como também no acompanhamento sócio e emocional dos filhos. A sociedade cumpre um papel importante nesta formação; já que somos frutos do meio em que vivemos, ou seja, somos influenciadores e influenciáveis ao que nos rodeia. Neste sentido, cabe a sociedade através da mídia, através das entidades promoverem sempre a pessoa com olhos voltados para a formação cultural, social e por fim, ao Estado cabe como executor e fomentador de políticas que visam promover o adolescente, jovem e as famílias para que através de projetos sociais; projetos relacionado a prevenção as drogas possam atingir de fato a sociedade como um todo e assim, construir uma estrutura para esta nova realidade da sociedade que vai se constituindo conviva em harmonia com a diversidade como também diminuir o uso de drogas incentivado pela queda da demanda.

Ataíde Lemos

Autor dos livros:
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Internação para dependentes químicos



      O tratamento através de internação para dependentes químicos, quase sempre é o ultimo recurso usado pelo dependente para tratar-se da doença. Certamente, a busca pela internação, ocorre quando todos os outros meios usados não obtiveram resultados satisfatórios, muito embora, ao meu ver, toda busca de tratamento quer seja através de grupos de mutua ajuda, psicoterapias individuais e outros tipos de tratamento são válidos, pois a recuperação é um processo, onde por meios de varias tentativas, ainda que pareçam frustrantes, sempre atinge um processo de crescimento do individuo na busca de sua sobriedade.

     Quando me refiro que a internação é sempre a ultima fase do tratamento, realmente ela precisa ser, até porque, para uma pessoa interna-se precisa estar predisposta e consciente para se manter um determinado tempo dedicando-se inteiramente a si próprio e, para que isto ocorra o recuperando deve estar focado apenas em seu tratamento. É muito complicado manter-se numa entidade por um período determinado quando se está com parte do tempo inserido dentro da entidade, isto é, com pensamento unicamente voltado ao seu tratamento e outra pensando no que deixou lá fora da entidade. Enfim, um recuperando que esteja internado, porém com pendências extra-entidade certamente estes mecanismos serão usados pela sua dependência para abortar o tratamento.

     Outro fato importante que também se torna essencial à internação ser uma ultima fase é que, a internação acaba sendo uma nova experiência para um recuperando pelo fato de estar sobre um regulamento, ou seja, o recuperando precisa ser consciente que terá sua liberdade limitada, vigiada e disciplinada precisando respeitar os direitos dos outros como também permanecerá por um tempo longe dos familiares. Se realmente ele não estiver com este propósito não resistirá ao tratamento.

     Portanto, algo se precisa refletir; os dependentes químicos não precisariam chegar a internação, no entanto, para muitos, somente acordam para o fato de sua dependência quando perderam quase tudo, por exemplo, a saúde, a família a vida social e assim, a internação tornam-se algo necessário e como ultima oportunidade. No entanto, por outro lado, a internação é um fator positivo para o recuperando, pois a partir do nada ele inicia se transformando num novo homem, quando de fato ele deseja vencer as drogas. Normalmente ao se encontrar no fundo de poço e não tendo mais onde baixar-se o recuperando passa através de sua força de vontade, por meio de experiências mutuas, através do desenvolvimento espiritual se reerguer, porém como uma nova pessoa. Sempre uso de um pensamento: Não há sobriedade permanente se não houver a transformação interior em seu todo.

Ataíde Lemos 

domingo, 25 de julho de 2010

QUANTO VALE UMA PESSOA?!


Depende de quem o avalie.
Para alguns analizará perfil
Então, vão levar em consideração
A cor dos olhos, da pele
A posição social, financeira
Se trabalha ou se vive na rua
Se estuda ou é analfabeto
Se tem família regular ou não
Ou se é filho somente de pai ou de mãe.
Se tem casa ou mora nas praças
Se usa brinco, possui tatuagens
Se é um jovem careta ou usuário de drogas.
Se mora na zona sul, ou em barracos.
Se anda limpo ou maltrapilho...
Se está no útero, se é criança, ou idoso
Se é homo ou heterossexual...

Quanto vale uma pessoa?!
Depende a intensidade do preconceito,
O real sentido da palavra amor para o avaliador.
Depende do valor que se dá para vida.
Quem a valoriza a sua egoisticamente
A do outro, não terá muito valor certamente.

"Ataíde Lemos"

sábado, 10 de julho de 2010

Conto - Vanessa e as drogas






Vanessa era uma adolescente que despertava atenção de todos os garotos do bairro em que morava, bem como, chamava atenção por onde passava pela sua beleza e simpatia. Tinha apenas 15 anos, mas aparentava uns 18, devido sua estrutura física. Era loira, de cabelos ondulados 1,70 de altura, 55 kilos, uma pele bem clara. Enfim, uma adolescente que despertava desejo possuindo muitos pretendentes.

Seus pais viviam sempre atentos com ela, por ser uma menina de personalidade difícil, pois era teimosa, preguiçosa. e também  por gostar de sair muito a noite seus pais a controlava impondo limites e isso provocava muito atritos dela com seus pais.

Cursava o 1º ano do ensino médio, sempre seus boletins eram recheados de notas boas. Na maioria das vezes, logo no terceiro bimestre era comum fechar as notas passando para a próxima série.

Adolescência é uma fase de descobertas, onde os jovens iniciam suas vidas afetivas, contestações, rebeldias, puberdade, etc. Uma fase de indagações e período onde inicia  os atrações por outras pessoas, a sexualidade e com Vanessa não foi diferente.

Na escola onde estudava havia um jovem que se chamava Ricardo, tinha 18 anos, muito simpático que despertava os sentimentos de Vanessa. Este interesse era recíproco entre ambos, porém, Ricardo era um jovem namorador, vivia no meio da malandragem e ainda era um usuário e traficante de drogas.

Com muita lábia, Ricardo pouco a pouco foi conquistando o coração de Vanessa, deixando-a cada vez mais apaixonada por ele. Os costumes e o comportamento de Ricardo foram influenciando a maneira de ser de Vanessa. Porém seus pais, ao perceberem o interesse da filha por este jovem, já conhecendo a fama deste rapaz, procurou de todas as maneiras evitar que os dois mantivessem um relacionamento até mesmo uma simples amizade, no entanto, as medidas usadas pelos pais para afastarem os dois criaram mais revolta ainda na filha deixando-a rebelde e provocando um clima péssimo naquele lar. Eram comuns as discussões entre eles e, por vezes, ela  ficava horas e horas trancada no quarto. No entanto, todas as barreiras que os pais criaram para distanciar os dois jovens não resolveu, pelo contrario, sempre arrumavam um jeito para se verem.

Ricardo cada vez mais se entregava as drogas e já  não tendo como sustentar seu vicio fazia pequenos furtos e também começou a fazer tráfico. Vanessa, completamente apaixonada por ele, resistia ao apelo do namorado para experimentar drogas até que um dia ele a embriagou e sem que percebesse colocou drogas na bebida dela, fazendo-a sentir muito bem, criando nela um estado de euforia, uma sensação de liberdade, prazer. Um aumento de adrenalina, a partir de então, Vanessa deu inicio nas drogas.

Ricardo percebendo que Vanessa encontrava completamente dependente, pois a todo instante lhe pedia drogas, passou usá-la para traficar. Isto é, somente lhe dava drogas caso ela conseguisse repassar para outras pessoas, e assim, Vanessa apaixonada por ele e completamente dependente cedeu ao seu pedido tornando-se também traficante, mas por ser uma jovem muito bonita e dependente passou a ser usada sexualmente por outros jovens traficantes que, sabendo de sua dependência lhe forneciam drogas em troca de atos sexuais. Ricardo completamente dependente, por vezes, obrigava Vanessa sair com outras pessoas, a fim de obter mais drogas para o seu consumo e para vendas.

Vanessa vivia muitas humilhações sexuais, degradação moral e de sua dignidade de mulher. Varias vezes foi obrigada – pela dependência – manter relações com varias pessoas ao mesmo tempo, chegando a provocar três abortos que ocorreram por uso de medicamentos e um deles feito numa clinica clandestina.

A vida dos pais de Vanessa, transformou-se num verdadeiro inferno com aquela situação da filha e por também não saberem como ajudá-la a sair das drogas. Eles (pais) não sabiam de nada que estava ocorrendo com a filha quanto a vida sexual intensa dela e a de prostituição, para eles o problema de Vanessa era somente com as drogas.

Por varias vezes, os pais encontraram a filha em estado lastimável de drogadição e aquilo era motivo de brigas entre o casal, um sentimento de culpa envolveu  os dois. Vanessa, por varias vezes, ficava dias fora de casa sem que os pais soubessem por onde ela se encontrava, isto os levava a procurem no instituto médico legal, em delegacias, até que de repente, ela aparecia toda desfigurada, suja, maltrapilha.

Seus pais internaram muitas vezes em clinicas, porém ficavam somente em dividas, pois Vanessa não conseguia terminar um tratamento sequer.  Era comum ao se encontrar intoxicada pedir ajuda, mas logo que melhora arrumava desculpas para abandonar o tratamento.

Durante sete anos Vanessa teve uma vida totalmente destruída e escrava das drogas. Sua vida ativa de abusos sexuais e de drogadição apenas atenuou quando seus pais procuraram ajuda em grupos de apoio e com profissionais saúdes preparados. Assim, puderam acompanhar mais de perto a vida da filha nas drogas, evitando o máximo às investidas sexuais dos usuários de droga.

Vanessa estava totalmente dependente, porém os pais passaram a ficar mais atentos e preparados para ajudar a filha tirando-lhe os espaços dela, mudando a maneira de dialogar com a filha, dando mais carinho, atenção. A partir daí a Vanessa começou a se abrir  mais com eles e perceber o estado que se encontrava.

Muito embora, Vanessa houvesse internado muitas vezes, ela não buscava ajuda para sair das drogas, mas sim, desintoxicar-se. Porém, com seu estado critico e já se sentindo no fundo de poço e com o apoio da família despertou nela um desejo real de mudança e buscou tratamento com determinação de realmente sair daquela dependência biológica e psicológica que se encontrava.

Mesmo com o apoio da família, determinação não foi fácil para Vanessa vencer as drogas Ela teve muitas recaídas, passou por períodos de intensa depressão, um vazio existencial. Teve que lutar bastante contra a ansiedade, a fissura das drogas e de toda uma identidade inconsciente que a dependência construiu em seu psicológico, porém, Vanessa manteve-se firme em sua decisão de vencer as drogas. e  mesmo quando recaía logo se reestruturava e firmava-se novo propósito sempre fortalecido pela família.

E assim, Vanessa mesmo sofrendo as conseqüências biológicas e emocionais de sua vida na dependência – devido aos abortos, ficou estéril– conseguiu vencer as drogas, tornando-se uma moça feliz. Apesar de tudo que viveu, para ela sair do fundo do poço onde se encontrou já era motivo de felicidade.

Vanessa passou a atuar em trabalho de prevenção ajudando mulheres envolvidas com drogas. Casou, adotou dois filhos e assim, a vida seguiu em frente, retornando assim, a paz tanto para ela, quanto para seus familiares.



          
  Ataíde Lemos

Obs. Estes nomes são ficticios.

sábado, 26 de junho de 2010

Internação involuntária para dependentes químicos



          Inconscientemente, toda busca de tratamento para dependência química por meio de internação ocorre de maneira involuntária, pois o dependente ao se inserir numa clinica ou numa comunidade terapêutica estará sujeito a determinadas regras que não seja de sua vontade. Enfim, mesmo que ele esteja por sua vontade, de alguma forma, sente-se preso pela limitação da liberdade e do espaço físico. No entanto, mesmo que, esta decisão seja involuntária é uma tomada de atitude por vontade própria num desejo de deixar as drogas. É importante ressaltar que, normalmente a procura de tratamento ocorre num momento em que o dependente esteja passando por uma situação de intenso sofrimento psicológico, físico e social ou por algum outro fator externo que o leve a pedir internação.

        Porém, como é estatisticamente comprovada, grande maioria daqueles que decidem trata-se “voluntariamente” não completam o tratamento. Isto, deve-se as características da doença da dependência química que são: a ânsia, a fissura, etc. Enfim, a dependência física e psíquica torna-se o fator essencial para o aborto dos recuperandos ao tratamento. Portanto para que alguém consiga completar todas as etapas do tratamento, exige-se muita dedicação, força vontade, espiritualidade, apoio familiar entre outros, ou seja, precisa querer e estar com muita vontade de livrar-se das drogas.

          Pois bem, partindo do principio de que o tratamento a dependência química parte de uma vontade pessoal do dependente a entidade não tem como obrigá-lo permanecer internado involuntariamente por duas razões simples; o não cumprimento do regimento interno da entidade e a desestabilização emocional dos outros internos que estão em tratamento.

          A partir do descrito acima, é impossível um tratamento involuntário, por meio da imposição de terceiros seja através da família ou do Estado. Qualquer tentativa neste sentido, deixa de ser tratamento tornando-se outro recurso utilizado como plano de fundo para minimizar o sofrimento da família ou retirar tais doentes de circulação trancafiando em “prisões” intituladas de clinicas.

          Como já abordei em artigos anteriores; há apenas duas maneiras de manter internado um dependente químico involuntariamente que são: usar da violência física e emocional ou mantê-los sobre medicamentos (psicotrópicos) o tempo todo. Certamente, estes expedientes causam indignação à sociedade e prejuízos irreparáveis aos dependentes químicos de ordem psicológicos e psiquiátricos. Quantas denuncias ocorrem de entidades que mantém seus internos em estado de violência física e emocional? Entidades que são denunciadas por maus tratos? Muitas vezes tais situações ocorrem devido ao internamento involuntário. Isto é, a família paga uma mensalidade e as entidades para manterem seus caixas acabam usando da violência para com os internos. Em suma, por dinheiro algumas clinicas ou comunidades terapêuticas mantem seus pacientes involuntariamente.

          Finalizando, mesmo que um dependente químico procure tratamento, sua decisão é por necessidade, portanto, inconscientemente involuntária, porém pela vontade do dependente e mesmo assim, a maioria esmagadora deles abortam o tratamento. Sendo assim, imaginar que uma internação involuntária através do Estado leve um dependente químico a tratar-se é ser ingênuo demonstrando não ter conhecimento sobre a dependência química ou estar com outras intenções que não seja o especificamente o tratamento desta pessoa que se encontra dependente.

          Ataíde Lemos 


            Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
            O Amor Vence de Drogas

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ckack uma droga em discussão






















          O ckack não é uma droga nova, há quase duas décadas vem destruindo adolescentes e jovens. Segundo estatísticas, não são mais os adolescentes os consumidores desta droga, ela já atinge faixas etárias entre 35 a 45 anos. Certamente, esta faixa etária está relacionada ao tempo em que ela surgiu.

           A questão é que, durante muitos anos os usuários desta droga eram usuários da classe pobre. É importante ressaltar que o ckack é o subproduto da cocaína e tem seu preço baixo, portanto é de fácil acesso de dependentes de baixo nível econômico, porém, seu custo baixo é uma ilusão, pois o uso produz um efeito avassalador no sistema nervoso central, mas de pouca duração, levando o dependente após o efeito consumir outra logo em seguida e assim consecutivamente. Enfim, a fissura é tão grande que leva o usuário usar muitas pedras em pouco espaço de tempo.

          É importante também dizer que há todo um ritual em consumo do ckack e algumas características que leva o dependente manter-se um comportamento de risco a sua vida constantemente.

          O ckack leva 10 segundos para fazer o efeito, gerando euforia e excitação; respiração e batimentos cardíacos acelerados, seguido de depressão, delírio e "fissura" por novas doses. "Crack" refere-se à forma não salgada da cocaína isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio. Os pedaços grossos secos têm algumas impurezas e também contêm bicarbonato. Os últimos estouram ou racham (crack) como diz o nome.

          Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também mais cruel e mortífero do que ela. Possui um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica. As primeiras sensações são de euforia, brilho e bem-estar, descritas como o estalo, um relâmpago, o "tuim", na linguagem dos usuários. Na segunda vez, elas já não aparecem. Logo os neurônios são lesados e o coração entra em descompasso (de 180 a 240 batimentos por minuto). Há risco de hemorragia cerebral, fissura, alucinações, delírios, convulsão, infarto agudo e morte.

         O pulmão se fragmenta. Problemas respiratórios como congestão nasal, tosse insistente e expectoração de mucos negros indicam os danos sofridos.

          Dores de cabeça, tonturas e desmaios, tremores, magreza, transpiração, palidez e nervosismo atormentam o craqueiro. Outros sinais importantes são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento de pressão arterial e transpiração intensa. São comuns queimaduras nos lábios, na língua e no rosto pela proximidade da chama do isqueiro no cachimbo, no qual a pedra é fumada.

         Com o passar do tempo o ckack deixou de ser droga da classe pobre, sendo usada também pela classe mais elevadas. Certamente este também tem sido o motivo da mobilização da sociedade está se fazendo em relação ao ckack, promovendo discussões e até mesmo se pensado em fazer Leis para procurar minimizar sua demanda fanççando o tratamento dos dependentes desta droga.

          É triste constatarmos que somente quando a classe mais elevada economicamente da sociedade é atingida por algum tipo de droga que ocorre toda uma mobilização, mas como diz o ditado, "de todo um mal Deus tira um bem". Isto é, a partir desta realidade talvez agora as classes mais pobres podem ser beneficiadas.

Ataíde Lemos
Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
O Amor Vence de Drogas

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Projetos de prevenção às drogas para pais














          É na família que se constrói a base da sociedade, pois é nela que ocorre a formação valores éticos, morais e espirituais. Certamente é esta educação responsável pelo caráter do Ser humano.

          Pois bem, um fato que constatamos é que, muito embora a dependência química deforme o caráter do dependente, isto é, ele deixa de lado parte de sua educação constituindo uma outra mórbida, ela não destrói por completo toda esta formação recebida. Outro fato interessante é que, é a partir desta educação familiar recebida que se obtém maiores resultados positivos tanto para aqueles que estejam em tratamento como também colabora para que o dependente tome a iniciativa de procurar solução para a doença adquirida.

          Os que mais sofrem com a dependência química são os pais – no caso de serem filhos dependentes. No entanto, são os pais que conseguem mais êxito na busca de tratamento, pois são eles os primeiros a receberem o pedido de ajuda dos filhos.

          Porém, o que observamos é que, infelizmente, os pais somente dão conta da dependência de seus filhos quando estes já se encontram num estagio avançado da doença e, por conseguinte, estão completamente despreparados para ajudá-los de maneira correta e assim, torna-se co-dependentes com grande facilidade.

          A grande maioria dos pais não conhece os sintomas do uso de drogas, ignorando atitudes estranhas dos filhos. Não procuram se informar sobre dependência química com participações em palestras ou lendo literatura sobre o assunto. enfim, agem como se o problema da droga estivesse somente na casa do vizinho.

          Também podemos observar que existe uma falha enorme do Estado em relação a projetos de prevenção às drogas para pais. Observamos que existem alguns projetos direcionados aos adolescentes, jovens, mas são raros projetos de prevenção as drogas aos pais. Em suma, falta orientação a eles de como prevenir que seus filhos entrem nas drogas.

          Normalmente, o acesso às drogas ilícitas (maconha, cocaína, ckack e outras) inicia pela licitas como o álcool e não há nada de projetos, oriundo do Estado em nível de mídia que oriente os pais, a não ser a lei existente que é proibido vender bebida as menores, que também não se dá publicidade a ela.

          A dependência química não ocorre de um dia para o outro. Muito embora,o ckak seja uma droga de grande poder de dependência ela não é uma droga de iniciação do adolescente. Sendo assim, para se chegar até ela o jovem já passou pelo álcool, pela maconha e infelizmente, o despreparo dos pais não os deixa perceber toda a mudança de comportamento e emocional que ocorre em seus filhos ao longo do tempo de uso, ao ponto que darem conta somente quando eles iniciaram no ckak.

          Enfim, trabalhar a prevenção às drogas é necessário que os projetos atinjam adolescentes e jovens como também as famílias. Todos sabemos o quanto é difícil alguém que envereda nas drogas consiga liberta-se, sendo assim, o melhor caminho é diminuir a demanda que ocorre por meio da prevenção.


Ataíde Lemos


Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
O Amor Vence de Drogas



sábado, 8 de maio de 2010

Chegou tua hora



 







Em teu olhar vejo uma luz brilhar
Em tuas palavras sinto desejo de mudar
Parece já não mais agüentar
A vida, que até então, escolheu pra trilhar.

Sinto que se rendeu as tentativas
De se iludir e brincar com vida
Parece que precisa encontrar a saída
Para não viver de forma dividida.

Agora; é preciso não se iludir
Acreditando que desta é fácil sair
É necessário altivez e coragem para perseguir
No instante que a fissura ocorrer não desistir.

Serão inúmeros os momentos
Que surgiram desejos, maus pensamentos
Vontades mascaradas nos sentimentos
Para que abandone o tratamento.

Porém, com propósito e vontade de vencer
Mantendo a perseverança irá perceber
Que para ser feliz não é necessário viver
Drogando-se, inutilmente de si se esconder.

Ataíde Lemos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Internação involuntária é sinônimo de prisão







 



          A internação involuntária do dependente químico, nada mais é do que uma maneira sutil de prisão, isto é, retirar do meio da sociedade o dependente químico. Enfim, retornar ao passado onde o dependente químico era considerado doente mental, em outras palavras, um louco.

          Qualquer profissional de saúde que atua nesta área sabe que internação involuntária não resolve, não leva a pessoa deixar a dependência. Isto é, para que alguém vença a dependência química é fundamental o desejo partir dele.

         Atuo nesta área a mais de 12 anos e nunca presenciei alguém deixar as drogas por imposição, pelo contrario, os que venceram foi porque decidiram de foro intimo deixar as drogas e assim se posicionaram neste pensamento procurando tratamentos e hoje estão sóbrios mantendo uma vida saudável.

          É fundamental pensarmos que uma entidade onde se obrigue alguém permanecer involuntariamente precisará escolher um de dois métodos; um é dopar o dependente químico constantemente, porém, este artifício levará o dependente adquirir uma doença de ordem mental. O outro é usar da força, isto é, construir cadeias dentro das entidades e também punir o doente (preso) com a força e os métodos que se dispuser.

          Imaginamos hipoteticamente os dois métodos, partindo das primícias que para se deixar às drogas é necessária vontade do dependente: no primeiro caso, evidentemente este recuperando sairia dependente e doente mental da entidade, no segundo caso, como alguém iria deixar de usar drogas numa entidade onde seria maltratado? Como que todo o programa de tratamento iria ser concebido por ele (dependente), num local onde ele não deseja ficar? Onde ele é punido constantemente? Enfim, voltaremos às torturas do doente químico como no passado, depois de termo comprovado que a dependência química é uma doença. Enfim é algo que jamais pode ser concebido nos dias de hoje.

          Como um profissional no assunto, este argumento de prender o dependente químico é uma loucura, mas é algo que já se poderia prever diante a inércia e omissão do Estado. Todavia, se o problema do tratamento à dependência química fosse tratada com seriedade pelo Estado, isto é, dando condição de tratamento a todos aqueles que são dependentes e não possuem condições financeiras para se tratar a realidade seria completamente outra. A verdade é que o Estado em abordando de tratamento a dependência química nada faz e então, a sociedade perdida sem solução deixa ser levado por tais ideologias de segregação social. Enfim, para se resolver um problema esconde-o, ou seja, construa prisões para esconder ou proteger a sociedade dos doentes, como já ocorreu no passado com os dependentes químicos, os leprosos, etc.

         Em nosso País é assim, o Estado não cumpre suas Leis, e então sai punindo com novas Leis, que na verdade, isto nada mais é do que seu próprio certificado de incompetência. Dou aqui alguns exemplos: uma pessoa é condenada à 20 anos de cadeia, sai com 3 a 5 anos, então observamos a violência aumentar pela impunidade do crime. O Estado não implementa na integra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e então, procura diminuir a idade penal. Agora outro exemplo; não dá acesso de tratamento ao dependente químico construindo centros de tratamento e nem apóia financeiramente inúmeras entidades como as Comunidades Terapêuticas e clinicas e então, resolve literalmente construir prisões para os dependentes químicos.

         Ataíde Lemos

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Recaídas














          Uma das palavras mais ouvidas quando discutimos drogadição é a palavra recaída.

          Gostaria de iniciar este texto partindo iniciando sobre os tipos de tratamento. Há varias abordagens de tratamento para dependência química. Existe tratamento clinico medicamentoso; há o tratamento psicoterapeuticos individual; há os grupos de mutua ajuda que envolve a psicologia comportamental e espiritualidade e por fim, há o tratamento realizado pelas Comunidades Terapêuticas, que é um tratamento psicoterapeutico sem uso de medicamento e enfatizado por uma determinada espiritualidade. Além, de todas estas abordagens, ainda existe aquela que é feita de maneira aberta e sem metodologia definida, seria aquelas onde o dependente químico pode buscar informações através da mídia, literatura sobre drogas.

          Primeiramente, quis fazer este comentário inicial sobre o tratamento, para falar sobre a recaída e dizer que já estamos precisando repensar nesta nomenclatura e definindo melhor esta etimologia.

          Segundo meu ponto de vista, como sempre enfatizo, a dependência química é uma doença bio-psico-social, porém a abordagem para o tratamento é quase exclusiva a nível psicológico, digo isto, porque entendo que é através de um trabalho psicológico é que o dependente mantém a sobriedade, haja vista, que não existe cura definitiva para aquele que adquiriu a doença. Todo processo de tratamento é visando um trabalho preventivo, educacional e comportamental para que o dependente não faça o primeiro uso.

         Partindo do principio que, a pessoa que procura tratamento sempre passa por varias abordagens terapêuticas obtendo varias experiências empíricas, isto o leva a um desenvolvimento psicológico de vencer a drogas, ocorrendo uma mudança sistemática de comportamento e conhecimento sobre a dependência.

          É comum vermos pessoas que passam por tratamento relacionados à dependência química que voltam para as drogas, porém, são fortes os suficientes para o retorno da sobriedade com certa facilidade. Não tenho duvidas que isto esteja relacionado a toda esta estrutura adquirida em muitos tratamentos. É neste sentindo que dizemos que o tratamento é lento e demorado, pois para alguns é através de varias recaídas e com o conhecimento somando-se ao desejo de vencer as drogas que vários conseguem deixar-la definitivamente.

          Olhando por este prisma, as recaídas devem ser vista também como parte do processo de tratamento, desta forma, não há necessidade do desespero nem dos que são dependentes químicos ou mesmo dos familiares. Poderíamos dizer que, até certo ponto, o tratamento em si é teórico mesmo que esteja numa abordagem onde o paciente possa experenciar todas as reações orgânicas, psicológicas, e crises de abstinência.

          As recaídas são a pratica do confronto entre a realidade da teoria com a realidade da dependência particular de cada um. O resultado está certamente no que quer o dependente para sua vida já de posse de todo conhecimento e estrutura psicológica existente em seu consciente.
Um dependente químico que almeja a sobriedade e a busca, jamais aceita naturalmente os momentos de recaídas instantâneas, pois ele sofre, e assim de posse do que sabe constrói mecanismos próprios para de restabelecer a sobriedade novamente.

          Finalizando, diria que as famílias, os dependentes químicos jamais devem entrar em crises quando se depara com recaídas simplesmente, mas sim ter a certeza que estas voltas às drogas ou bebidas compulsivas são instantâneas e rápidas. A atenção deve estar mais na estrutura emocional, no objetivo e no que pensa aquele que recai em relação às drogas.

Ataíde Lemos

Autor dos livros
Drogas um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas

Comunidade Terapêutica Jeová Shalom

Gostaria de deixar neste tópico informações para aqueles que tem problemas relacionado às drogas e deseja tratamento.Somos diretores uma entidade para tratamento a dependentes químicos chamada “Comunidade Terapêutica Jeová Shalom”.Já atuamos nesta área de tratamento há quase 12 anos.
Para maiores informações aqui estão dados da entidade para aqueles que estão a procura de tratamento.

· A entidade se localiza na cidade de Ouro Fino sul de Minas Gerais, está há 200 km de São Paulo, 480 km do Rio de Janeiro e 490 km de Belo Horizonte. A instituição trata apenas o sexo masculino.

· A instituição é evangélica: Isto não significa que somente atende a evangélicos, pelo contrario, a entidade recebe todos sem distinção de credo, raça, etnia, etc. no entanto, os princípios da espiritualidade é Cristã.

· É proibido fumar cigarro de tabaco. Segundo entendimento da entidade tabaco é também uma droga que precisa ser combatida. Muitas vezes o próprio uso do cigarro acaba sendo um fator de levar o dependente a ter suas recaídas.

· O tratamento se dá através do tripé; Laborterapia, espiritualidade e reunião de grupos. A reunião de grupo é subdividida em palestras, dinâmicas e os doze passos.

· O tempo de duração do tratamento é de seis meses divididos em: dois meses para desintoxicação, dois para conscientização e mais dois anos destinado a ressocialização.

· Embora a entidade esteja registrada nos órgãos públicos, como ocorre com a maioria das Comunidades Terapêuticas não recebe verbas dos poderes públicos e como tem que se manter, ela pede a titulo de doação uma contribuição de R$ 250,00 mensais para poder custear as despesas de manutenção da instituição.

Pois bem, estas são as informações básicas, caso há interesse basta entrar em contato:
potifar@hardonline.com.br

Presidente:
Apostolo Profº Roberto Wagner Alves Ferreira