Palestras Sobre Drogas

Há 12 anos sou voluntário na área de Dependência Química, atuando no tratamento por meio de Comunidade Terapêutica. Tenho alguns livros publicados “Drogas um vale escuro e grande desafio para família" e "O amor vence as Drogas”, e mais de uma centena de Artigos relacionado a este tema.


Faço palestra sobre Dependência Química. Aqueles que desejarem basta entrar em contato pelo e-mail ataide.lemos@gmail.com


domingo, 1 de novembro de 2009

Súplica de um dependente químico


















Senhor; estou diante de Ti
Quero abrir meu coração;
Brinquei com fogo e me queimei
Agora perdido me encontro
Como sair desta não sei.
Estou completamente doente
Perdi o comando do corpo e da mente
Mergulhei numa dependência
Que me mata a cada dia mais
Como também destruo meus pais.
A cada instante sinto-me mais fraco
Tenho menos força para resistir
A compulsão, a ansiedade
Que ela proporciona
Deixando-me totalmente entregue
Sem dela conseguir me libertar.
Muitos não mais acreditam em mim
E não posso acusá-los ou culpá-los
Pois sempre me deram carinho, atenção
De alguma maneira tentaram me ajudar
Mas de olhos sempre fechados
Não os abri para enxergar.

Senhor; somente Tu sabes minha dor
Nem eu, tenho a total dimensão
Só sei que perdido estou.
Pareço ser um caso sem solução
Mas recorro a Vós de coração
Acredito piamente em Seu amor
Mesmo sem merecer
Pois durante toda minha vida
Vivi sem Lhe buscar
Pelo contrario, muitas vezes
De Ti, vivia zombar.
Porém, mesmo afastado de Vós
Sei que jamais deixou de me amar
Esteve sempre a me esperar
Por isso, neste momento de escuridão
Peço a Ti também perdão
E reconstrua-me novamente
Faça-me um vaso novo em tuas Mãos.

Ataíde Lemos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O desespero das famílias em relação às drogas




          Após o pai de um jovem dependente químico de crack em desabafo, escrever uma carta pública ao saber que seu filho assassinou a namorada, a mídia tem levantado a questão das drogas, pressionando ações do Estado quanto ao tratamento de dependentes químicos desta droga.

          Pois bem, primeiramente é preciso destacar que a questão da dependência química não se resume ao crack, mas também abrange a cocaína, a maconha, o alcoolismo e os psicotrópicos vendidos alienatoriamente nas farmácias , etc, etc.

          Diante das inúmeras tentativas para conseguir tratar o filho, mas sem êxito, ele questiona a internação voluntária, acreditando que não há como esperar de alguém, que esteja completamente comprometido biológica e psicologicamente com as drogas, as condições psíquicas necessárias para pedir ajuda, procurando assim a internação voluntariamente.

          Realmente o desespero de ver um filho se matar vagarosamente e também de sentir a família ir morrendo junto com ele, faz com que queiramos soluções práticas e imediatas ou que nos apeguemos a qualquer situação que possa paralisar ou terminar com tal sofrimento. Há famílias que nem pedem a internação compulsória, mas sim desejam a morte de seus entes para que cesse o sofrimento.

          Para um leigo que vê uma pessoa dependente química no seu estado mais degradante, certamente pode acreditar que uma internação compulsória resolveria o problema. Imagina que uma clínica “tipo prisão”, com profissionais clínicos, psicólogos, terapeutas, pastores, padres, enfim, um tratamento vip, vá resolver o problema das drogas ou então, a família imagina que é melhor um filho preso numa clínica eternamente, que solto usando drogas e sujeito a todas as conseqüências dela.

          No entanto, nós que atuamos muitos anos nesta área, sabemos que mesmo uma internação compulsória não vai fazer com que a pessoa vença as drogas. A grande maioria das entidades sejam elas clínicas ou comunidades terapêuticas, não internam compulsoriamente, por entenderem que não resolve. Não há como forçar uma pessoa deixar as drogas de maneira externa. O grande exemplo que a internação compulsória não funciona, é que a grande maioria das pessoas que procuram espontaneamente tratamento, menos de 10% ficam nas instituições e praticamente quase todos os 90% retornam às drogas. Portanto, a internação compulsória é mais uma manifestação do desespero em que se encontram as famílias pela ausência do Estado e pelas conseqüências da dependência química.

          O que o governo poderia fazer e não faz é ajudar as famílias, criando e estimulando centros de auto-ajuda e clínicas com profissionais para dar apoio, amparando as famílias carentes de dependentes químicos, custeando parcialmente com diárias as entidades, caso o dependente decida por ser tratado. Em suma, o que o governo de fato precisa fazer é assumir o tratamento daqueles que o buscam, não fazendo apenas demagogia com um caso tão sério de saúde pública como são as drogas.

Ataíde Lemos
Autor dos Livros: Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família;
O Amor Vence as Drogas

Revisão texto: Vera Lucia Cardoso

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Drogas: Um Descaso da Sociedade e do Estado



         Diante de tragédias relacionadas às drogas como assassinatos e suicídios de pessoas que possuem um certo destaque no cenário nacional, ressurgem as discussões sobre dependência química. Sobre o que não se faz e o que precisa ser feito.

          Infelizmente, muitos estão morrendo vítimas das drogas e parece que pouco se tem feito. Temos visto pessoas que desesperadamente tomam atitudes extremas e absurdas, como acorrentar o filho, ou então fazer celas na própria casa para que o filho não se drogue.

          Em todos os casos, o que sempre podemos observar na fala destes familiares desesperados, é a inércia e a ausência do Estado. Pessoas que estão à deriva sem ter a quem recorrer.

           Como alguém que trabalha na área de dependência química, conheço bem a realidade dessas famílias, como também conheço a omissão do Estado. As entidades terapêuticas estão tão abandonadas quanto as famílias. Não há acompanhamento, não há ajuda financeira, enfim, as entidades que atuam nesta área, sofrem os mesmos abandonos e descasos. Por isso, muitas vezes não conseguem dar ao dependente químico nem o mínimo do tratamento exigido.

          A grande maioria das Comunidades Terapêuticas (CTs), não possuem terapeutas ocupacionais e psicólogos – profissionais básicos nesse tipo de tratamento – a necessidade de pessoal é suprida apenas por recuperandos, que já se encontram em uma fase mais adiantada dentro do tratamento na instituição, mas que sobrevivem das migalhas que recebem como doações, sejam elas vindas dos familiares de alguns recuperandos ou de pessoas de boa vontade. Enfim, as CTs apenas fazem tratamentos paliativos, recorrendo à espiritualidade e à fé. Isto é, entregando tanto a entidade quanto o recuperando nas Mãos de Deus para conseguirem vencer a dependência.

          É comum se criticarem as CTs por fazerem uso da espiritualidade com seus recuperandos, mas deixo algumas perguntas em aberto: como não recorrer à espiritualidade, num País que não está nem aí para o tratamento de dependentes químicos? Que não faz nada para que as entidades possam dar um tratamento adequado e digno aos seus recuperandos? Como as entidades (CTs) podem dar melhor qualidade de tratamento, se não têm recursos financeiros nem para manter profissionais de saúde e nem mesmo para dar suporte aos voluntários desta área?

          Enfim, é complicado imaginar uma mudança no quadro de violência ou de saúde, quando o assunto é drogas, pois o Estado sempre que faz alguma coisa, faz mal ou pela metade, isso quando também não está ausente.

          Infelizmente, o quadro de desespero de pais que têm filhos dependentes químicos como também dos absurdos que cometem, não vai ter um fim imediato, pelo contrário, cada vez aumentará mais, pois cada dia aumenta o número de dependentes químicos e diminui o de entidades destinadas ao tratamento.

          É comum a televisão fazer matérias sensacionalistas com entidades que tratam mal os recuperandos (dependentes químicos) e também sobre algumas entidades de renome nacional, que recebem recursos sejam do Estado ou de grandes empresários ou ainda de entidades do exterior, mas nunca vi matérias feitas nas maiorias das CTs que são pobres, mas sérias e que procuram fazer seus trabalhos mesmo sem ajuda, vivendo no total abandono do Estado. Entidades estas que são na maioria das vezes, acolhedoras dos dependentes que não possuem nenhum recurso financeiro.

          Em suma, é difícil parte da sociedade querer mudar a realidade das drogas e dos dependentes, se a maioria dela (sociedade) não está nem aí ou somente se interessa por este problema, quando passa a vivê-lo em sua própria casa.

Ataíde Lemos
Autor dos livros Drogas um vale escuro e grande desafio para familia

O Amor Vence as Drogas
Revisão:
Vera Lucia Cardoso

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Qual a melhor maneira de tratar um dependente químico?



















          O que ajuda a pessoa que se encontra dependente a vencer a doença, não é o nível intelectual do profissional que a assiste, não é a beleza ou o conforto de uma entidade clínica ou comunidade terapêutica, não é o passar de mão na cabeça de um recuperando ou dependente químico e não é a hostilidade de palavras agressivas que só reforçam sua baixa auto-estima, mas sim, um amor responsável, um amor coerente. É olhar para uma pessoa que precisa de ajuda e ser sua amiga, sem cobranças e sem questionamentos. É levá-la a perceber que ela é um Ser amado e importante, apesar de todo caminho percorrido. É não ficar apontando dedos e defeitos e sim ouví-la e aproveitar-se das deixas para levá-la à reflexão. É evidente que esperar da família tais atitudes seria exigir demais, pois ela se encontra tão doente quanto aquele que está fazendo uso de drogas. Seria pedir demais nesse determinado momento, em que é ela quem sofre todas as conseqüências de um ente dependente.

          Uma pessoa que se encontra com problemas de dependência química, está carente e com sua auto-estima baixa, com seu organismo debilitado e precisando desabafar.
         
          Uma pessoa que se encontra dependente nos dias de hoje, devido a tantas informações, tem uma real consciência de sua situação. Ela pode até querer passar uma outra imagem, no entanto, sabe que as coisas não estão bem para ela. O que ocorre é que essas pessoas estão doentes e não encontram alguém para ajudá-las, só recebem críticas e lições de moral como se elas não soubessem que tudo que lhes falam é verdade, porém isso não resolve, o que pode ajudá-las é encontrar pessoas que lhes apontem caminhos, que lhes mostrem horizontes, que vejam suas recaídas como algo perfeitamente natural e que tentem ajudá-las a se levantarem novamente.
         
           Vivemos em uma sociedade cercada de mitos, que cobra, mas que é inerte em apontar soluções. Que ainda não tem em profundidade o conhecimento sobre drogas por ser extremamente ignorante no assunto, não pela falta de informações, mas sim por não se informar.

          Criam enormes dificuldades e barreiras para se aproximarem de alguém que tenha problemas com drogas. Exigindo isto, aquilo e olhando-o como se ele fosse um ser extraterrestre e pensam, que somente determinadas pessoas são habilitadas para lidar com ele, como se ele fosse um aparelho eletrônico, um automóvel, que somente um especialista pode resolver seus problemas. Em dependência química não é exatamente assim que funciona.

         O que leva alguém a deixar as drogas é encontrar um amigo que não o discrimine, mas sim que o ajude em sua integração social, que não o exclua como se sua dependência fosse algo contagioso. É preciso ter um certo conhecimento sobre o Ser humano, tendo um mínimo de noção das características da dependência química e a simplicidade das palavras, enfim, é preciso ter muito calor humano.

           Vemos tantas pessoas que conseguem deixar a dependência química sem necessidade de internação, sem necessidade de ficarem horas e horas em divãs sendo analisadas. Isto vem demonstrar, que é na simplicidade, na amizade, na solidariedade e no compromisso com o Ser humano, que se tem ajudado a muitos a vencerem seus males psíquicos, orgânicos e espirituais.

( Ataíde Lemos )

Revisão: Vera Lucia Cardoso

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Recaídas
















          Uma das palavras mais ouvidas quando discutimos drogadição é a palavra recaída. Gostaria de iniciar este texto partindo do tratamento. Há vários tipos de abordagens relativas ao tratamento da dependência química. Existe tratamento clínico medicamentoso; há tratamentos psicoterapêuticos individuais em consultórios; há os grupos de mútua ajuda, que envolve a psicologia comportamental e a espiritualidade e por fim, os tratamentos realizados pelas comunidades terapêuticas, que são tratamentos psicoterapêuticos sem uso de medicamentos, enfatizados por uma determinada espiritualidade. Além de todas estas abordagens, ainda existe aquela que é feita de maneira aberta e sem metodologia definida. Seriam todas as informações que um dependente possa ter sobre drogas, que estão espalhadas na mídia e através de diversas literaturas sobre o tema.
          Primeiramente, quis fazer este comentário inicial sobre o tratamento, para poder chegar na questão da recaída e dizer que já estamos precisando repensar esta nomenclatura e definir melhor esta etimologia.
          Segundo meu ponto de vista, como sempre enfatizo, a dependência química é uma doença biopsicossocial, porém a abordagem para o tratamento é quase exclusivamente em nível psicológico, digo isto, porque entendo que é através de um trabalho psicológico, que o dependente mantém a sobriedade, haja visto que não existe cura definitiva para aquele que adquiriu a doença. Todo processo de tratamento é visando um trabalho preventivo, para que a pessoa não faça o primeiro uso. Partindo do princípio, que a pessoa que procura tratamento, sempre passa por várias abordagens terapêuticas, tendo várias experiências empíricas, adquirindo assim, um desenvolvimento psicológico maior no sentido de vencer as drogas, ocorrendo também nesta pessoa, uma mudança sistemática de comportamento, passando ela, a ter mais conhecimentos sobre a dependência.
          É comum vermos pessoas que passam por tratamentos relacionados à dependência química e que de repente voltam às drogas, porém, são fortes o suficiente para retornarem à sobriedade novamente com certa facilidade. Não tenho dúvidas, que isto esteja relacionado a toda esta estrutura adquirida em muitos tratamentos. Por isso é que dizemos, que o tratamento é lento e demorado, pois é através de muitas recaídas, com o conhecimento se somando e o desejo de vencer a dependência é que vários usuários conseguem deixar as drogas definitivamente.
         Olhando por este prisma, as recaídas fazem parte do processo de tratamento, desta forma não há necessidade de haver desespero, nem da parte dos dependentes químicos e nem da parte de seus familiares. Poderíamos dizer, que até certo ponto, o tratamento em si é teórico, mesmo que esteja numa abordagem onde o paciente possa experenciar todas as reações orgânicas, psicológicas, e crises de abstinência.
As recaídas, são a prática do confronto entre a realidade da teoria com a realidade da dependência particular de cada um. O resultado está certamente, no que quer o dependente para sua vida, já na posse de todo conhecimento e estrutura psicológica existente em seu consciente.
          Um dependente químico que almeja a sobriedade e a busca, jamais aceita naturalmente os momentos de recaídas instantâneas, pois ele sofre e assim, de posse do que sabe, constrói mecanismos próprios para restabelecer a sobriedade novamente.
          Finalizando, diria que as famílias e os dependentes químicos, jamais devem entrar em crise quando se depararem com as simples recaídas, mas sim devem ter a certeza, que estas voltas compulsivas às drogas ou às bebidas, são instantâneas e rápidas. A atenção deve estar mais na estrutura emocional, no objetivo e no que pensa aquele que recai, em relação às drogas.


Ataíde Lemos
Revisão: Vera Lucia Cardoso

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O adolescente, o Estado e as drogas
















         
         
              A droga surge na vida de alguém de várias maneiras. Na verdade, para muitos vem como uma muleta para suprir ou camuflar algum problema emocional, que muitas vezes a pessoa nem se dá conta que tem. Para outros, vem por uma simples brincadeira, uma diversão ou por uma oportunidade surgida. Enfim, de alguma forma ela vem como um momento de descontração.

          Para alguns, o uso da droga não proporciona nenhum bem estar, o usuário não faz a tão entusiasmada viagem, pelo contrário, não gosta, se sente mal e não mais a procura. Já para outros, a droga proporciona uma viagem fantástica e essa pessoa passa sempre a recorrer a ela, na tentativa de obter o mesmo prazer da primeira viagem feita, no entanto, isso não ocorre e assim, essa pessoa vive constantemente nesta busca.

          Pois bem, esta “viagem maravilhosa” é o primeiro indício de que a pessoa tem uma predisposição ao consumo de drogas, pois na busca de reviver aquele prazer, a pessoa vai consumindo cada vez mais drogas e seu organismo vai assimilando essa química, tornando-se dependente dela, até ao ponto, que o consumo da droga se torna uma necessidade para o usuário. Sem que ele se dê conta, que está consumindo cada vez mais e mais.

          O grande problema que leva as pessoas a adquirirem a dependência química, está no fato de que normalmente este início – com algumas exceções – se dá no período da adolescência, onde a personalidade ainda se encontra em formação. Onde o adolescente ainda está na fase das descobertas, das afirmações e assim, este “prazer” proporcionado pela droga, foge ao seu controle.

          É neste sentido que se faz necessário trabalhar a prevenção na pré e na adolescência. O Programa Educacional de Resistência às Drogas (PROERD) da Polícia Militar, vem nesta direção, isto é, de orientar a criança na sua pré-adolescência promovendo cursos aos alunos da 4ª série primária e agora já iniciando em algumas localidades, com os alunos na fase de adolescência, em alguns projetos, na 6 ª série.

          No entanto, ao sabermos que todo adolescente independentemente de sua classe social ou condição econômica está inserido no grupo de risco, consideramos que o PROERD, ainda que seja um bom projeto, é muito pouco, diante da demanda necessária de prevenção às drogas nesta faixa etária.

          É necessário que o Estado em todos os níveis e esferas de governo tenha a responsabilidade social na criação de projetos, sejam eles na área educacional por meio de disciplinas pedagógicas enfocando a prevenção às drogas ou mesmo projetos na área social, que levem os pré-adolescentes e adolescentes a estarem preparados para dizer não às drogas.

          Todos os meios que levam ao combate às drogas são necessários e fundamentais, como por exemplo, a repressão, no entanto, de nada vale a repressão se não se trabalha de maneira eficaz a demanda. Se cada vez mais, aumenta o consumo de drogas, mais o tráfico tende a aumentar, ainda que haja o combate a ele. No entanto é preciso pensar, que quanto mais diminuir a quantidade de drogas no mercado, maior será o custo dela e assim, maior será o custo social.

          Enfim, ao meu ver, o problema das drogas não é algo impossível de se enfrentar, mas sim, passa por uma questão de vontade política. O que observamos ocorrer é que se trabalha muito a questão imediata, mas não se trabalha tanto em projetos de longo prazo quanto à prevenção. São raros os projetos com visão de futuro, em geral eles se preocupam mais com o hoje. Talvez projetos de longo prazo não dêm tanto retorno em votos, literalmente são gastos que ficam por debaixo da terra.

Ataíde Lemos

Revisão:
Vera Lucia Cardoso

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Trabalhar prevenção às drogas nas Escolas

         
















          Trabalhar a questão das drogas na Educação, em nível de ensino fundamental e médio, penso que deva ser de formas específicas e direcionadas. Quando abordamos drogas, constatamos que este tema é muito amplo, que pode abrir leques para várias interpretações ou mesmo inúmeras brechas para questionamentos contraditórios.

          Uma das abordagens para se trabalhar na escola tal assunto, seria propiciar aos estudantes adolescentes e jovens, do ensino médio, a aprendizagem de como se relacionarem consigo mesmo; a aprenderem a resolver seus conflitos internos; criarem perspectivas de vida saudável, incentivando e motivando-os a correrem atrás de seus projetos.

          Cabe à escola orientar e abrir espaços, fornecendo os meios necessários para que os adolescentes e os jovens, procurem se lapidar e assim terem condições de atingirem seus objetivos, dentro de suas possibilidades.

          Uma sociedade é construída e avaliada pela Educação. As pessoas que recebem uma Educação de qualidade, certamente terão mais senso crítico da vida, atingindo sem dúvida um patamar muito mais elevado de conceito, de valores éticos, morais, espirituais e de cidadania.

          Segundo esta linha de raciocínio, o trabalho antidrogas deve ser contínuo e a sua abordagem não deve necessariamente centralizar-se especificamente sobre ele, mas oferecer e proporcionar alternativas de qualidade de vida – e dentro desta qualidade de vida, o aprender a lidar consigo mesmo – e a busca de ideais.

          Algo fundamental e necessário, seria proporcionar aos adolescentes e jovens o conhecimento de seus limites, sejam eles quais forem – emocionais, físicos ou financeiros – e ao mesmo tempo, passo a passo, ajudá-los a superá-los, para que assim possam conviver com todas as suas características individuais. Seria importante também, uma orientação psicopedagógica, que os ajudasse a enfrentarem e superarem os fracassos e as limitações.

          A Educação deve quebrar as barreiras do ensino, deve ser uma fonte de conhecimentos intelectuais e ao mesmo tempo, uma fonte de desenvolvimento pessoal e social de cada ser humano.

          A partir do momento que o tema "droga" passar a ser trabalhado com muita eficácia, sendo englobado diretamente ou indiretamente em todas as disciplinas curriculares, sendo inserido psicologicamente em cada estudante, automaticamente, estará incutido na formação da própria personalidade do homem, como algo prejudicial e assim teremos os mecanismos de superação que buscamos.

          Todos os meios usados para que se faça a prevenção às drogas são de fundamental importância. O que precisa ocorrer é uma sintonia entre esses meios. Pouco resolve se convidar palestrantes uma vez a cada seis meses, se o trabalho preventivo se resumir apenas nestas palestras, como meio de prevenção nas escolas. Este tipo de prevenção é apenas uma vertente.

          Da mesma forma é de grande importância o trabalho que o PROERD faz, promovendo curso nas escolas, mas é importante frisar, que este curso se realiza apenas nas quartas séries e que agora, é que está se iniciando nas sextas séries também. Da mesma forma, este curso realizado pelo PROERD é uma vertente. É importante que haja um cronograma de tais projetos numa grade curricular, fechando um ciclo anual, que venha somar a outros projetos e não tê-los apenas como linhas mestras para trabalhar a prevenção.

          É importante ter claro que a questão do uso de drogas é uma questão existencial, isto é, está inserida dentro do ser humano, pois ela (droga) de certa forma, faz com que a pessoa tenha prazer, externe suas sombras. Certamente, discursos contrários não atingem aos jovens, então fundamental é que se proporcione este mesmo prazer através de atividades sadias ou mesmo ajudando, dando subsídios para que as pessoas aprendam a lidar com suas sombras.

Ataíde Lemos
Revisão:
Vera Lucia Cardoso

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Três amigos e um destino


Tiago, Mateus e Pedro eram amigos e viviam no mesmo bairro. Estavam sempre juntos. Tiago e Pedro tinham 16 anos enquanto que Mateus apenas 14.

Tiago e Pedro desde os 13 anos faziam uso de drogas como o álcool e a maconha. Tiago fazia algumas fitas (pequenos furtos) de vez em quando para nos finais de semana, comprar cocaína e partilhar com Pedro.

O pai de Tiago faleceu quando ele tinha apenas 8 anos e como sua mãe trabalhava para o sustento da casa e não tinha onde deixá-lo, ele ficava o dia todo na rua.

Pedro, embora tivesse pai e mãe tinha uma família desestruturada. Seu pai era alcoólatra e assim não se importava com os filhos, transferindo toda responsabilidade para esposa, que por sua vez, não exercia muita vigilância com Pedro, deixando-lhe completamente à vontade.

No caso de Mateus, seus pais viviam atentos a sua educação. Embora fosse um adolescente muito interativo, no entanto, sempre escapava dos pais para ficar brincando de soltar pipa e jogar bola com os colegas numa quadra perto de sua casa. Ele conhecia Tiago e Pedro, porque eram vizinhos.

Tiago não estudava, ficava o dia todo na rua e vivia de pequenos furtos. Era comum estar sempre com roupas de etiqueta e com quantias altas de dinheiro na carteira. De vez em quando, Tiago desaparecia por dois ou três dias e logo voltava ao bairro exibindo roupas e tênis novos aos seus colegas.

Como Tiago era muito amigo de Pedro, sempre dividia com ele as drogas que consumia, como a maconha e bebidas. De vez em quando dava alguns papelotes de cocaína a Pedro e os dois ficavam malucos, fazendo muita bagunça no bairro. Todos os finais de semana faziam churrasco, regado de muita bebida e drogas, que consumiam junto com os amigos na casa de Tiago. E ali ficavam até altas horas.

Pedro, com o tempo também foi se tornando dependente, as drogas que seu amigo lhe dava já não eram suficientes. Como não conseguia roubar e tinha muito medo de levar tiros ou mesmo ser preso, Pedro para manter o vício passa a repassar drogas.

O traficante do bairro se valendo do estatuto da criança, usava Pedro como laranja, isto é, dava-lhe uma porcentagem em drogas e em troca Pedro as repassava, aliciando e conquistando mais pessoas para a venda de drogas.

Foi neste período que Mateus também acabou conhecendo as drogas. Como sempre viviam brincando na quadra, certo dia Pedro com uma porção de maconha, convidou Mateus para ir soltar pipa num terreno baldio. Pedro acendeu um cigarro de maconha e começou a fumar. Mateus muito curioso começou a fazer perguntas e mais perguntas sobre o cigarro e ficou com vontade de experimentar.

Logo que Mateus deu o primeiro trago viu tudo rodando, ficou totalmente alucinado e foi embora assustado para casa. Porém com o passar do tempo, sempre estava à procura do colega para serrar cigarros de maconha e Pedro sempre lhe dava, até que determinado dia Pedro já percebendo que Mateus estava dependente, disse que não poderia mais dar de graça, se quisesse teria de comprar e o preço seria de apenas R$ 3,00 reais, cada cigarro.

Com o tempo Mateus também passou a usar drogas continuamente, mudando de comportamento em casa. Deixou de ser um garoto obediente e já andava agressivo, rebelde, não ficando mais em casa. Ficava somente na rua. Mesmo os pais vendo aquela mudança brusca de comportamento do filho, imaginavam que aquelas atitudes não passavam de uma fase, coisa da adolescência. Mal sabiam seus pais, que seu filho estava nas drogas e que mesmo sem eles perceberem, Mateus já trocava roupas e CD’s por maconha e de vez em quando cocaína.

O tempo foi passando e quando a família de Mateus se deu conta, o filho já tinha dezoito anos, já era adulto e estava completamente dependente das drogas sem possibilidade de retorno. Os pais haviam perdido o controle do filho.

Tiago, Pedro e Mateus eram grandes amigos e viviam sempre juntos. Gostavam de baladas, viajavam pela redondeza todos os finais de semana, sempre em festas com garotas que também consumiam drogas – alias, eles drogavam as garotas.

Embora fossem muito amigos, cada um deles procurava obter drogas de maneiras diferentes. Tiago estava completamente envolvido na criminalidade, sempre assaltando. Vivia constantemente armado, mas como era muito esperto, sempre conseguia sair dos cercos policiais. Quando era preso, pagava propina aos policiais ou através de bons advogados, conseguia se livrar da cadeia.

Já Pedro se mantinha nas drogas, como sempre fez em toda sua adolescência. Tinha uns amigos traficantes os quais comprava drogas e repassava para sua clientela. Sempre iniciando novas pessoas no vício e mantendo o consumo dos dependentes que ele mesmo fizera. Procurava sempre aliciar mais adolescentes meninas que meninos.

Por fim, Mateus como era um jovem de boa aparência e muito simpático, tornou-se garoto de programa, usando de sua aparência física e de ser um jovem muito "sarado", para facilmente conquistar com seu jeito, homens e mulheres de idade mais avançada, a fim de que o sustentassem tanto com as drogas como com dinheiro para suas baladas.

Certa vez, houve um assalto num supermercado na cidade. Sem que os assaltantes percebessem, o proprietário conseguiu acionar a polícia, que chegou no momento exato do assalto. Houve troca de tiros onde um dos assaltantes veio a falecer no local e o outro ferir-se. Quando o policial tirou o capuz do assaltante morto constatou que era Tiago, que havia falecido na troca de tiros.

Pedro e Mateus ficaram extremamente abalados com aquele acontecimento, pois eram amigos desde a infância. Mesmo os dois já sabendo que era esperado isso vir a ocorrer, devido Tiago estar muito envolvido com assaltos e roubos na região, a morte do amigo abalou-os profundamente.

Policiais já andavam no encalço de Pedro, pois muitos já sabiam que ele era traficante e que era o responsável pelo repasse de drogas aos jovens daquele bairro onde morava. Logo após Pedro ter recebido drogas do traficante de uma outra cidade, vinha tranqüilamente em seu carro quando foi abordado por várias viaturas da polícia – que chegaram até ele por denúncia anônima. Ao revistarem seu automóvel, encontraram vários papelotes de maconha, cocaína e crack. Pedro foi enquadrado no artigo 12 do Código Penal, sendo condenado a 7 anos de prisão.


Durante o tempo em que Pedro se encontrou preso, pode refletir sobre sua vida e todo mal que havia feito aos outros. Lembrou de quantos adolescentes havia transformado em dependentes e também pode perceber o quanto ele próprio estava dependente das drogas.

Com a prisão, Pedro havia se endividado. Estava sem dinheiro para pagar os traficantes, seu maior medo era ser morto – como de fato aconteceu. Certa vez, um traficante conhecido seu fora preso e por coincidência no outro dia Pedro amanhecera enforcado no banheiro. Até hoje não se sabe a verdade sobre sua morte, se foi suicídio ou se ele foi morto pelo traficante.

Com a morte de Pedro, Mateus havia perdido dois amigos e isto o abateu profundamente. Embora eles vivessem na marginalidade eram grandes amigos. Porém, infelizmente as drogas estavam levando-os a ter o mesmo fim.

Certa vez, Mateus já com seus trinta anos, dependente químico e ainda usando o sexo para sustentar as drogas e se manter materialmente, começa a sentir algumas tonturas, dores e a emagrecer continuamente. Procurou um médico. Este lhe recomendou fazer vários exames laboratoriais. Qual foi sua surpresa! Quando teve a noitícia que era soro positivo! Mateus havia contraído AIDS.

Naquele momento foi como sua vida houvesse acabado. Mateus entrou numa profunda depressão. Não queria se medicar e não queria mais viver. Tentou por várias vezes o suicídio. O que lhe deu muita força foi sua família – embora Mateus houvesse mergulhado nas drogas, usado da prostituição para se manter, fazendo dela um estilo de vida, a família nunca o abandonou e neste momento deu-lhe todo apoio para superação da doença, como sempre fizera no passado.

A partir da AIDS, Mateus refletiu sobre sua vida, pediu ajuda para se libertar das drogas, já que ela havia sido toda a causadora daquelas enfermidades e também da morte de seus melhores amigos. Participou de grupos de ajuda, teve apoio da família; procurou ajuda de profissionais especializados da saúde, até que conseguiu vencer as drogas. Porém, não conseguiu vencer a doença da AIDS. Após cinco anos limpo e sem jamais ter voltado às drogas, procurando neste tempo, ajudar jovens e famílias com problemas relacionados às drogas e AIDS, Mateus veio a falecer.

E assim terminou a história de três amigos que eram diferentes, tinham personalidades diferentes, mas algo em comum: as drogas e seus finais. Morreram precocemente.


Ataíde Lemos

Revisão:
Vera Lucia Cardoso

Dor de Mãe


Como dói, ver você assim
Pedaço de mim
Embalei em meus braços
Descansei seu cansaço
Meu corpo te alimentou
Meu calor te agasalhou
Acordei varias noites
Abriguei do frio que sentia
Enquanto dormia




Como dói, ver você assim
Desfigurado, jogado ao léu
Um gosto amargo de fel
Que tenho que provar
Toda vez que preciso te buscar.


Como dói, ver você assim
Sem enxergar a realidade
Vivendo uma prisão
Com a chave nas mãos
Mergulhado na ilusão


Como dói, viver assim
Sem noites dormir
Com os olhos no telefone
Sempre o mal pressentir
Com medo de seu nome ouvir
Viver a custa de calmantes
Numa dor angustiante, constante
Na esperança de um momento
Cansar-se do sofrimento
Ajuda então pedir
E deste suplicio sair.

Ataíde Lemos

Mais um "traguinho"

Porque é vital continuar alertando sobre os malefícios do cigarro
por Nira Bessler
Muitos fumantes não agüentam mais ouvir as advertências do Ministério da Saúde: Fumar causa câncer de pulmão, câncer de boca, infarto do coração etc. Mas não tem jeito; quem quiser falar seriamente sobre cigarro vai ter de transmitir todas essas informações. Por um motivo simples: elas são verdadeiras.
O cigarro é fator de risco para diversas doenças. Isso significa que uma pessoa que fuma tem mais chances de contrair uma série de males. Alguns estão diretamente ligados ao tabaco. De cada dez casos de câncer de pulmão, por exemplo, nove são conseqüência do fumo, assim como 85% das mortes por enfisemas.
Não é à toa que o Ministério da Saúde tem criado tantas medidas para desestimular o consumo de cigarro, principalmente nos últimos 15 anos. O fumo gera sobrecarga do sistema de saúde com tratamento de doenças ligadas a ele, causa mortes precoces de cidadãos em idade produtiva, aumenta as faltas no trabalho, reduz a qualidade de vida de fumantes e de sua família. Uma pesquisa do Banco Mundial apontou que esses e outros fatores geram uma perda de 200 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.
Fumante inala mais de 4700 substâncias tóxicas a cada tragada
No Brasil, estima-se que 80 mil pessoas morram precocemente a cada ano devido ao tabagismo. Mas por que o fumo faz tanto mal? Quando uma pessoa traga a fumaça de um cigarro, está inalando mais de 4700 substâncias tóxicas. Muitas delas vêm do processo de plantio do tabaco. Os agrotóxicos utilizados na plantação acabam sendo inalados, por tabela, pelo fumante.
Outras substâncias fazem parte da própria composição do tabaco ou são produzidas durante sua queima. O monóxido de carbono - o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis -, por exemplo, dificulta a oxigenação do sangue e causa doenças como a arteriosclerose.
O alcatrão é, na verdade, um composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas. Assim, 30% das mortes por câncer se devem ao fumo. O tabagismo pode causar tumores não apenas no pulmão, mas também na boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero.
Mas um dos maiores vilões é mesmo a nicotina, responsável pelo prazer e pela dependência. Ela acelera a freqüência cardíaca e contribui para o surgimento de doenças cardio-vasculares. Basta dizer que 45% dos infartos agudos do miocardio em pessoas abaixo de 65 anos são causados por tabagismo. A nicotina também estimula a produção de ácido clorídrico, causando azia, podendo levar a uma úlcera e até a um câncer de estômago.
Esses e muitos outros malefícios gerados pelo tabagismo não ficam restritos aos fumantes. As pessoas que convivem com eles também sofrem as conseqüências do cigarro. São os chamados fumantes passivos. Ao respirar a fumaça do cigarro, a pessoa está absorvendo substâncias tóxicas e cancerígenas. Por isso, o fumante passivo tem 30% a mais de chances de ter câncer, e a probabilidade de sofrer um infarto do miocárdio aumenta 24%, em relação a uma pessoa que não convive com tabagistas.
Está aí a importância de se criar ambientes exclusivos para fumantes em restaurantes e empresas. "É essencial conscientizar os funcionários que fumam de que ninguém está indo contra eles. O que estamos fazendo é proteger o não-fumante do tabagismo passivo. O fumante não está sendo discriminado, nem é proibido de fumar. Ele apenas terá uma área específica para isso. O não-fumante acaba sendo protegido da poluição", explica o médico pneumologista Ricardo Meireles, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
As advertências do Ministério da Saúde sobre os malefícios do cigarro e outras leis anti-tabagistas podem incomodar algumas pessoas, mas já estão dando resultados. Uma pesquisa recente, encomendada pelo INCA, demonstrou que, entre 1989 e 2002, o percentual de fumantes no Estado do Rio de Janeiro caiu de 29,8% para 21,4%. De acordo com INCA, tudo indica que essa é uma tendência nacional.
Fonte O dia Online

domingo, 23 de agosto de 2009

Conto - Dois Caminhos Diferentes



Em um sítio morava uma família muito feliz. João, Maria e seus dois filhos: Pedro e Carlos. O sítio era próximo à cidade.
Enquanto Maria cuidava da casa e fazia doces gostosos, o Sr. João trabalhava na lavoura, cuidando das criações, tirando leite de vacas e cabras, o que constituía a sua principal fonte de renda para o sustento da família. Enquanto isso, seus dois filhos iam para a escola de manhãzinha.
Pedro e Carlos eram duas crianças dedicadas, seus professores sempre escreviam elogios em seus cadernos. Faziam os deveres, eram comportados em sala de aula e todos da escola admiravam aquelas crianças que recebiam de seus pais uma boa educação.
Além de serem bons alunos, ajudavam seus pais nos trabalhos do sítio, gostavam de praticar esportes, tinham bons colegas, iam à igreja todos os domingos e participavam da catequese. Enfim, eram crianças que toda comunidade via com bons olhos.
Com o passar do tempo, as crianças foram crescendo. Enquanto Pedro continuava praticando esportes e tirando boas notas na escola, ajudando seus pais, Carlos foi mudando. Conheceu novos amigos e quando chegava em casa depois da aula, não queria fazer mais nada. Fugia sempre para a cidade para não ajudar seus pais nas tarefas da família. Começou a matar aulas para dar umas namoradinhas. Quando ia à escola não estudava, só vivia com brincadeiras. Enfim, aprontava o tempo todo tirando a atenção dos colegas, até que seus pais começaram a receber bilhetes de reclamações com freqüência. Carlos também deixou de ir à igreja e há cada dia mudava mais seu comportamento. Começou a fumar.
Toda tarde quando chegava da escola, mal almoçava, já corria para a cidade para ficar com os colegas, chegando à tardinha e às vezes bem à noite.
Certo dia, Carlos com quatro amigos arrumou dinheiro e compraram uma garrafa de bebida alcoólica. Desde então nunca mais Carlos parou de beber. Todo final de semana se ajuntava com os colegas e bebia cada vez mais. Chegou um tempo, em que ele não conseguia ficar um dia sequer sem tomar alguma bebida alcoólica. Um dia, um de seus amigos lhe ofereceu um cigarro de maconha e assim ele começou a usar todo tipo de drogas proibidas.
Carlos, já não tinha coragem de levantar de manhã, não queria ir à escola, até que a abandonou de vez. Não fazia mais nada em casa. Brigava com a mãe, falava palavrões dentro de casa, tinha ciúmes do irmão porque Pedro era querido pelas pessoas, aplicado nos estudos e já tinha concluído a 8ª série, estava bem empregado e cursava o segundo grau. Enquanto que Carlos só dormia e comia. Não gostava de tomar banho e só falava gírias. Não se interessava por nada a não ser ficar com seus amigos usando drogas, fazendo bagunça e saindo todas as noites, chegando em casa às altas da madrugada embriagado e drogado, isto é, quando dormia em casa.
Vendo aquela situação, todos queriam ajudá-lo, principalmente seus familiares e amigos, porém, Carlos sempre usava de argumentos para justificar o uso das drogas, dizendo que não era dependente e que pararia quando quisesse. Muitas vezes culpava seus familiares e assim todos ficavam com sentimento de culpa, brigando entre si e o deixando em paz. Usando de várias manipulações, Carlos continuava se drogando.
Como não tinha dinheiro para comprar bebidas e outras drogas, começou a trocar suas roupas com os amigos. Não tendo mais o que trocar, passou a furtar dentro de casa. Fazia chantagem emocional com a mãe, furtava seu pai e seu irmão. Maria sua mãe já não sabia mais o que fazer, vivia chorando pelos cantos da casa.
Um sábado à noite, parou um carro de polícia em frente ao portão da casa do Sr. João. Ao atender, viu que era um policial, com uma intimação para que ele fosse até à delegacia no dia seguinte, onde seu filho e mais dois colegas haviam sido presos, pois haviam cometido um furto. Grande foi a tristeza daquela família, que nunca recebera uma intimação sequer em suas vidas.
Pedro um jovem responsável, sempre era aquele que dava força para a mãe, nestes momentos difíceis que a família vivia. Muitas vezes conversava com seu irmão procurando ajudá-lo, mas ele nem ligava e ainda o chamava de careta.
Depois de tanto sofrimento, de ter apanhado dos policiais, ter sido preso e vendo o seu sofrimento e o de sua família, percebeu o tempo que havia perdido. Pôs-se então a refletir: Cadê os amigos que bebiam e usavam drogas comigo? Nunca foram me visitar na cadeia! Nossa! Enquanto eu nem completei a quinta série, meu irmão já está terminando o segundo grau!
Teve início assim um enorme sentimento de angústia e um grande vazio tomou conta dele. Estava sem amigos de verdade. Os únicos que se aproximavam dele eram aqueles colegas que bebiam e usavam drogas. Deste momento em diante, pensou em parar de beber e usar drogas. Porém, sempre sentia vontade, porque se encontrava completamente dependente. Quando ficava um dia sem beber sentia tremuras, ficava nervoso e ansioso. Enquanto não bebesse ou usasse algum tipo de droga, não conseguia melhorar e quando fazia o uso, não conseguia se controlar. Ficava tão mal, que se as pessoas não o levassem para casa, ele dormia em qualquer lugar. Era uma situação deplorável.
Já cansado dessa vida de sofrimento, vendo que não conseguia parar com as drogas resolveu pedir ajuda a sua família. Ficou sabendo que um grupo de dependentes se reunia uma vez por semana para receberem informações de como se auto-ajudarem e assim não fazerem mais uso de álcool nem de outras drogas. Carlos então começou a participar desse grupo. Toda semana lá estava ele, sem perder nenhuma reunião, até que em determinado momento não sentiu mais necessidade de beber, mas sabia que não podia provar mais nenhuma bebida alcoólica e nem usar qualquer outro tipo de droga, senão começaria tudo de novo.
Depois de um certo tempo, voltou para a escola, fez o supletivo, conheceu novos amigos, voltou a freqüentar a igreja com seu irmão Pedro, que sempre acompanhava de perto a vida de Carlos e nunca havia experimentado drogas. Estava bem empregado, tinha uma excelente namorada e ajudou Carlos a arrumar um emprego.
Aquela família que um dia foi tão feliz no início e que passara por tanta dificuldade e sofrimento, devido a bebedeira e as drogas de Carlos, depois de muito tempo pode voltar a sorrir novamente.
João e sua esposa a partir da dependência de seu filho, passaram a freqüentar grupos de auto-ajuda e também a ajudarem através de reuniões, a outras famílias que viviam o mesmo drama. Com a sobriedade do filho, intensificaram muito mais esta ajuda, pois tinham sentido na pele, todo este sofrimento dentro de casa.
Desde que Carlos deixou as drogas, passou a ajudar outras pessoas dependentes que não conseguiam vencer a dependência. Criou uma sala de reuniões onde duas vezes por semana se reuniam para se ajudarem mutuamente. Também preocupado com a prevenção, sempre fazia palestras nas escolas e igrejas, alertando adolescentes, jovens e famílias para o mal que o cigarro, a bebida e outras drogas fazem, tanto para a pessoa, quanto para a família.
Também em suas palestras falava para os adolescentes e jovens sobre o valor do estudo, da prática de esportes, da importância da espiritualidade e que toda vez que estivessem com algum problema, procurassem pessoas amigas e de confiança para conversar. Sempre alertava que a bebida é uma droga que leva as pessoas a buscarem outros tipos de drogas.

(Ataíde Lemos)
 
Revisão: Vera Lucia Cardoso
Obs. Este é apenas um conto, qualquer nome ou semelhança é plena coincidência.

Dia 26 de Junho - Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas


Em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu declarar o dia 26 de Junho como o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas.
As pessoas têm que compreender que as drogas são ilegais porque são um problema; não são um problema por serem ilegais.
(...) Os efeitos nocivos do consumo de drogas não afectam apenas os indivíduos que as consomem, mas também outras pessoas.
Quando produzem os seus efeitos devastadores, (as drogas) não respeitam limites de classe social, raça ou ocupação, nem limites geográficos.
Consumir ou não drogas é uma questão de opção (...). Armemos as pessoas da informação de que necessitam para dizer não à droga ! (...)

(Retirado das mensagens do antigo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do dia Internacional Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas.)

O que são drogas?

As drogas são substâncias que alteram a maneira como as pessoas se sentem, pensam e se comportam.

Qual a diferença entre remédios e drogas?

As pessoas tomam remédios quando estão doentes. Os remédios são legais e devem ser usados com acompanhamento médico. As pessoas drogam-se por vários motivos. Algumas usam para fugir aos problemas, para fugir ao tédio, para se divertir ou mesmo por causa da pressão dos colegas. Às vezes usam drogas para se rebelar contra alguma coisa e acreditam que é uma forma de chamar atenção. As drogas são ilegais, o que significa que a sua utilização pode gerar problemas com a polícia.

Como são as drogas?

As drogas aparecem em diversas formas: comprimidos, pó, plantas, líquidos, óleos ou mesmo bebidas.

Como são as drogas consumidas?

De maneiras diferentes. As drogas podem ser fumadas como cigarros (haxixe, por exemplo), aspiradas pelo nariz (como a cocaína), injectadas por uma seringa (heroína), tomadas como comprimidos e, às vezes, misturadas em bebidas alcoólicas (anfetaminas e ecstasy).

As drogas são perigosas?

As drogas podem ser muito perigosas porque as pessoas reagem de formas diferentes a elas. Uma pessoa pode usar algum tipo de droga e ficar bem, enquanto outra pode ficar muito mal. Além disso, se as pessoas usarem regularmente as drogas tornam-se dependentes, ou seja, têm uma necessidade constante de recorrer a elas para se sentirem bem.

O que as drogas podem fazer ao teu corpo?

O efeito de uma droga é diferente de outra. Ao consumir haxixe as pessoas ficam mais relaxadas; as anfetaminas e o ecstasy dão energia; a cocaína dá a sensação de felicidade. Ainda que numa fase inicial o efeito possa ser agradável, os efeitos dessas substâncias não duram muito tempo. Algumas horas depois do uso de drogas, muitas pessoas começam a sentir-se deprimidas, solitárias e extremamente indispostas.

O que fazer quando algum conhecido usa drogas?

Conta a um adulto em que confies, como os teus pais, os teus professores ou outra pessoa.
(Adaptado de texto informativo retirado de www.unodc.org)

Drogas, atalhos para o nada


Estrada que não chega a lugar algum
Apenas conduz às fantasias
Apenas leva para labirintos
Transformando em ilusões e falsas alegrias.
Medos que tentam ser atenuados
Por sentimentos ou ressentimentos encobridos.
Medos que procuram ser escondidos
Como se esconder pudesse ser acabado.

Fugas que se tenta a todo instante
Imaginando que se pode dela fugir
Mas que num tempo perto ou distante
Vê que não fugiu e ainda está a se destruir.

Drogas, uma maneira de criar ou materializar ilusões
De expressar inconsciente rejeições
Mas, que no final como sobra
Perdeu-se na estrada, não venceu o medo,
Não fugiu, apenas inutilmente se consumiu.


(Ataíde Lemos)
Poema publicado no livro: Poesias; o amor em versos pagina 82

sábado, 22 de agosto de 2009

Conhecer sobre dependência química

Drogas um problema de saúde parte II

Escrevi recentemente o Artigo “Drogas um problema sério de saúde” onde exponho do porque a dificuldade seja do iniciante nas drogas deixar de usa-la como também a dificuldade de alguém que já esteja em alto grau de dependência conseguir sair totalmente, isto é, manter uma sobriedade permanente, já que conforme comprovações, para dependência química não há uma cura definitiva e sim, uma sobriedade a partir do momento que a pessoa não faça mais uso dela.
Ao ler o Artigo certamente virá uma frustração tanto por parte de alguém que tenha um ente iniciando nas drogas como alguém que seja dependente e esteja querendo parar, pois sentirá certo desanimo ao observar tamanha dificuldade que é vencer as drogas.
Pois bem, o Artigo embora seja até certo ponto duro é realista e precisa ser dito para que não se construa ilusão naquele que vai procurar tratamento, também para que família não iluda ou tente se iludir acreditando que dependência é uma doença que exige apenas o esforço do ente dependente, mas sim, que é um compromisso de toda ela. E também esta realidade descrita serve para que a família conheça mais sobre drogas se preocupando de maneira mais consistente na educação de seus filhos frente está triste realidade. É muito mais fácil ajudar um ente que esteja usando drogas quando se tem conhecimento sobre esta doença.
Há doze anos atuo na área de tratamento a dependentes químicos por meio de comunidade terapêutica e já tive a oportunidade de atender dependentes químicos que passaram por todos os tipos de tratamento; dependentes que já estiveram em comunidade terapêuticas mais renomadas do país, trabalhar com todas faixas etária de dependentes como adolescentes, jovens, adultos, idosos. Durante estes anos também trabalhei com dependentes de classe econômica alta e pessoas extremamente carentes, com dependentes de curso primário e de cursos univertarios. Pessoas de cidades pequenas, zonas rurais como aqueles dos grandes centros. Dependentes de famílias estruturadas ou não. Enfim, pude observar todas realidades biológicas, psíquicas e sociais no que tange a dependência química e o que observa é: as realidades são as mais diversas, no entanto, o final é o mesmo, a grande dificuldade que existe para que as pessoas que se tornaram dependentes conseguirem de fato deixarem as drogas.
No entanto, também há fatores positivos, pois podemos observar que alguns venceram as drogas. Outros ainda que não conseguiram vence-la totalmente, hoje suas relações com ela (droga) mudou muito, há maior permanência sem usa-la, ocorrendo apenas recaídas, porém já estão mais preparados psicologicamente tendo facilidade em buscar tratamento mantendo assim, mais tempo em sobriedade e quando recaem ao perceberem da dificuldade de superar a recaída buscam tratamento com mais freqüência.
Ataíde Lemos; Poeta e Escritor.
Livros: O Amor Vence as Drogas;
Drogas Um Vale Escuro e Desafio para Família;

Drogas um problema sério de saúde

Gostaria de refletir um pouco da dificuldade existente em convencer alguém que esteja inicialmente fazendo uso de drogas parar como também a dificuldade daquele que já se encontra dependente conseguir deixa-la.
Pois bem, o que leva alguém manter uso de drogas é o beneficio emocional e orgânico (pré-disposição) existente na grande maioria das pessoas. Certamente, o beneficio inicialmente sentido por aquele esteja no inicio de uma dependência é o emocional, isto é, seu uso leva a pessoa sentir-se um bem estar, um alivio psicológico, um aumento na adrenalina, e isto o faz sempre recorrer a ela quando sente uma necessidade emocional. Outro fator é que, na fase inicial as drogas usadas comumente são a maconha, bebida onde o adolescente, o jovem têm a falsa idéia que são drogas mais leves. É preciso ressaltar também que o uso inicial não é continuo, levando o usuário imaginar que tem controle sobre ela.
Abrindo um parêntese; não é difícil de entender porque o adolescente não escuta as pessoas em relação ao mal provocado pelas drogas na fase inicial, pois nesta fase a droga não dá sensação para o usuário de dependência, pelo contrario, ela proporciona um bem estar, ainda que saibamos que seja ilusório. Outro fator também é a maneira que ela é abordada aos adolescentes usuários indo contra ao que ele sente, ou melhor, o que ele concebe ao fazer o uso. Enfim, o discurso usado para não se usar drogas é contraditório em seu pensamento.
Portanto, infelizmente, na fase inicial da dependência o usuário não dá ouvidos aos malefícios que a droga provoca devido ele mesmo não conseguir perceber seus efeitos biológicos. Não perceber sua mudança de comportamento e também a mudança de seu estado psíquico. Portanto é muito difícil reverter um adolescente ou jovem usuário a deixar de fazer uso de drogas nesta fase.
Pois bem, o usuário somente perceberá que está dependente quando de fato já se encontrar comprometido biológico, social e emocionalmente. No entanto, quando este atinge tal estado, ocorre contrariamente da fase inicial, seu sistema nervoso central (SNC) está completamente dependente a ponto do dependente estar comprometido muitas vezes até psiquiatricamente e assim, com sérios problemas que não lhe permite mais uma sobriedade permanente.
Quando os profissionais da saúde afirmam da dificuldade de alguém deixar as drogas é levando em consideração todo um quadro de comprometimentos seja de ordem biológica, psíquica ou mesmo psiquiátrica de alguém que durante anos, décadas enviou drogas ao SNC comprometendo-o e modificando toda sua estrutura de organização e funcionamento.
Em suma, quando se fala em dependência química deve ser levados a sério pelos adolescentes, jovens, famílias e sociedade de um modo geral, pois quando se diz que é um caminho sem volta não é alarmismo, não é terrorismo psicológico e sim, é uma constatação, enfim, é a mais crua realidade. Pois um iniciante nas drogas não dá ouvidos e continuará a fazer o uso até tornar-se dependente e, aqueles que já se encontram dependentes muitos deles não conseguem mais força biológicas e nem psíquicas para deixa-las. Isto tanto é verdade que segundo a Organização Mundial da Saúde, pouquíssimos são aqueles que conseguem sair das drogas.
Não quero ser pessimista nestas afirmações, mas sim realista diante o grande problema que são as drogas devendo ser levado a sério pelo Estado, mas também pela família quanto à informação sobre dependência química para que assim, procurem trabalhar melhor na educação de seus filhos evitando-os a recorrerem à elas.
Ataíde Lemos: Escritor e Poeta
Livros: O Amor Vence as Drogas;
Drogas Um Vale Escuro e Desafio para Família;
Para adquirir entrar em contato

Os Efeitos da Lei Atual Sobre Drogas

Quando se promulgou a nova Lei sobre drogas, fiz criticas sobre alguns pontos sobre ela e me parece que agora já se começam a ser comprovadas na prática. Na Lei anterior alguém que fosse pego portando, usando drogas era conduzida a delegacia e respondia o Artigo 12 ou 16 do Código Penal referente à Lei sobre Drogas. Aqueles que fossem enquadrados no Artigo 16 pagavam fiança e eram liberados respondendo em liberdade e aqueles que fossem enquadrados no Artigo 12 eram considerados traficantes, respondendo por crime hediondo. Segundo a Lei anterior todos eram conduzidos as delegacias não importando a condição econômica ou posição social. Por varias vezes a televisão mostrou pessoas públicas sendo conduzidas a delegacia.
Pois bem, com a nova Lei praticamente acabou com o Artigo 16. Embora tenha mantido como crime o consumo de drogas o usuário pego usando drogas não é mais preso. Pois bem, na a prática não é isso que está ocorrendo: O policial da flagrante num jovem da alta sociedade consumindo drogas nada ocorre, contrariamente do que acontece quando da flagrante a um jovem pobre, este último é conduzido para delegacia e enquadrado no crime de traficante. Ai então fica lá a espera do juiz na esperança de conseguir ser considerado usuário. Enquanto isto fica meses ou anos na cadeia. As ultimas pesquisas sobre a questão dos presos envolvidos com drogas comprova o que relato. A grande maioria dos que são presos com posse de drogas 42% são com de menos de 100 gramas e 60% sem testemunhas. Abaixo os dados da pesquisa: fonte O Globo
Pesquisa traça perfil dos presos por tráfico de drogas
04/08/2009 - 15:10 (Paulo Mussoi)
Tem sido cada vez mais comum, no Brasil e no mundo, a discussão a respeito da postura que as políticas sobre drogas devem ter com relação à diferenciação entre o uso e o tráfico de drogas. Debates sobre a flexibilização das sanções por porte e/ou uso estão na pauta da revisão da lei em diversos países, com especial destaque a Portugal, o primeiro de todos a descriminalizar oficialmente o porte de qualquer droga para consumo próprio. Aqui no Brasil o conceito é confuso: portar drogas ainda é crime passível de pena, mas não de prisão. Uma tipificação subjetiva, que gera confusão e abre as portas para a extorsão. Mas para quem pensava que é só nessa questão do uso e do porte que nossas leis são discutíveis, uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça, que será apresentada oficialmente amanhã, no Rio, mostra que as punições ao tráfico de drogas em si também andam carecendo de uma reflexão mais profunda.
A pesquisa “Tráfico e Constituição: um estudo sobre a atuação da Justiça Criminal do Rio de Janeiro e do Distrito Federal no crime de tráfico de drogas” foi encomendada pelo Ministério ao Núcleo de Política de Drogas e Direitos Humanos da UFRJ. O trabalho foi coordenado pelas especialistas Luciana Boiteux e Ela Wiecko, e traz dados surpreendentes, principalmente para quem achava que o rigor das nossas leis contra o tráfico (considerado crime hediondo no Brasil desde 1988) era eficiente na repressão à distribuição de entorpecentes em larga escala no país. O que a pesquisa mostra é que a maioria dos condenados por tráfico no Brasil é de réus primários, que foram presos sozinhos, desarmados e com pouca quantidade de droga. Peixes pequenos, enfim, cujo encarceramento não influi uma vírgula na estrutura do tráfico e só contribui para aumentar o caos no nosso sistema penitenciário, cada vez mais especializado em "pós-graduar" criminosos de pequena monta nas artes do crime organizado, e tornar praticamente impossível a sua ressocialização.
Segundo a pesquisa, o Brasil tem hoje 180 mil presos em regime fechado. Destes, 70 mil são condenados por tráfico de drogas, sendo 30 mil em São Paulo e 8 mil no Rio. No universo de condenados por tráfico no Rio entre outubro de 2006 a maio de 2008, o trabalho dos técnicos da UFRJ observou que:
- 84% são homens
- 66% são réus primários
- 91% foram presos em flagrante
- 60% estavam sozinhos quando foram presos
- Apenas 14% portavam armas no momento do flagrante e da prisão
- 38% foram presos com cocaína
- 54% foram presos com maconha
- 42% foram flagrados e presos portando menos de 100 gramas de maconha
- 58% estão condenados a penas de 8 anos ou mais de reclusão em regime fechado.
Os resultados da pesquisa não param aí, e serão mais detalhados nesta quarta-feira no Viva Rio. Porém, um dos dados que mais chamou a atenção dos autores do trabalho foi o último da lista acima, sobre o percentual de condenados a mais de 8 anos de prisão.
Isso mostra que temos nas cadeias uma massa de traficantes de pequena monta com condenações muito rigorosas. Pode ser um sinalizador de que é preciso repensar o perfil dessas prisões, tentar entender se isso está realmente resolvendo o problema do crime de tráfico, disse a advogada Luciana Boiteux, durante a apresentação preliminar da pesquisa, num evento realizado na sede da Firjan.
Entre as propostas de revisão na lei que o estudo pode suscitar, ainda segundo Luciana, está a idéia de criar categorias diferenciadas de tráfico, a fim de gerar uma maior proporcionalidade de penas.
Desde a Constituição de 1988, nossa lei vê o tráfico como crime hediondo e ponto. Não importa se o réu é primário, se usou armas ou não, nem se vendeu 100 gramas ou 100 quilos. As penas são pouco flexíveis, o que gera um desequilíbrio no rigor das punições. E isso é agravado pelo fato de que, na prática, como a pesquisa identificou, só vai pra cadeia quem vende droga no varejo - diz Luciana, sabedora de que, no Brasil, quem produz ou vende no atacado (os traficantes realmente da pesada), esses raramente são presos, que dirá julgados e condenados.
Enfim, por si só a pesquisa reflete o que está ocorrendo com a atual Lei Sobre Drogas discriminando ainda mais o usuário de drogas pobre. Talvez se está foi a intenção da Lei está conseguindo seus objetivos que é discriminar e tirar os usuários pobres de circulação, porém somente esqueceram que a prisão nada mais é do que uma faculdade e neste sentido está formando não usuários, mas traficantes em potenciais e muito mais perigosos.
Ataíde Lemos, poeta e escritor
Autor dos livros
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para a Família
O Amor Vence as Drogas


Comunidade Terapêutica Jeová Shalom

Gostaria de deixar neste tópico informações para aqueles que tem problemas relacionado às drogas e deseja tratamento.Somos diretores uma entidade para tratamento a dependentes químicos chamada “Comunidade Terapêutica Jeová Shalom”.Já atuamos nesta área de tratamento há quase 12 anos.
Para maiores informações aqui estão dados da entidade para aqueles que estão a procura de tratamento.

· A entidade se localiza na cidade de Ouro Fino sul de Minas Gerais, está há 200 km de São Paulo, 480 km do Rio de Janeiro e 490 km de Belo Horizonte. A instituição trata apenas o sexo masculino.

· A instituição é evangélica: Isto não significa que somente atende a evangélicos, pelo contrario, a entidade recebe todos sem distinção de credo, raça, etnia, etc. no entanto, os princípios da espiritualidade é Cristã.

· É proibido fumar cigarro de tabaco. Segundo entendimento da entidade tabaco é também uma droga que precisa ser combatida. Muitas vezes o próprio uso do cigarro acaba sendo um fator de levar o dependente a ter suas recaídas.

· O tratamento se dá através do tripé; Laborterapia, espiritualidade e reunião de grupos. A reunião de grupo é subdividida em palestras, dinâmicas e os doze passos.

· O tempo de duração do tratamento é de seis meses divididos em: dois meses para desintoxicação, dois para conscientização e mais dois anos destinado a ressocialização.

· Embora a entidade esteja registrada nos órgãos públicos, como ocorre com a maioria das Comunidades Terapêuticas não recebe verbas dos poderes públicos e como tem que se manter, ela pede a titulo de doação uma contribuição de R$ 250,00 mensais para poder custear as despesas de manutenção da instituição.

Pois bem, estas são as informações básicas, caso há interesse basta entrar em contato:
potifar@hardonline.com.br

Presidente:
Apostolo Profº Roberto Wagner Alves Ferreira