Palestras Sobre Drogas

Há 12 anos sou voluntário na área de Dependência Química, atuando no tratamento por meio de Comunidade Terapêutica. Tenho alguns livros publicados “Drogas um vale escuro e grande desafio para família" e "O amor vence as Drogas”, e mais de uma centena de Artigos relacionado a este tema.


Faço palestra sobre Dependência Química. Aqueles que desejarem basta entrar em contato pelo e-mail ataide.lemos@gmail.com


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Deixar as drogas: uma questão de propósito


     Já escrevi vários artigos relatando as dificuldades encontradas por aqueles que se encontram dependentes das drogas para conseguirem vencê-la, como por exemplo, o grau de comprometimento biológico e psíquico- social, enfim, enlaçando toda a questão do histórico do dependente.

     Pois bem, quero levantar um outro pensamento sobre tal dificuldade, enfocando um outro aspecto, que me parece ser algo que também deve ser considerado. É comum conhecermos ex-dependentes que nunca passaram por determinado tratamento e um dia em suas vidas, resolveram e decidiram deixar de fumar, de beber, de usar drogas ilícitas e de fato deixaram. Certamente estes acontecimentos levantam questionamentos sobre as pessoas conseguirem se livrar da dependência e contribuem para manter o preconceito contra os dependentes e mesmo contra as clínicas e comunidades terapêuticas. Enfim, cria-se o tal conceito: se o fulano e o cicrano conseguiram parar, por que tem-se que internar? Isto é, mantem-se o estigma da falta de vergonha.

     Realmente é correto se afirmar:  “O dependente químico ou o alcoólatra  somente pára se ele quiser." Portanto não adianta o pai querer, o tio pedir, a casa dele cair, enfim, nada é capaz de fazer com que a pessoa deixe as drogas se essa vontade não partir dela. É uma decisão pessoal. O que acontece é que devido a determinados fatos, alguns tomam a decisão de parar por conta própria ou então recorrem a tratamentos.

     No caso daqueles que conseguem parar sem ajuda e sem tratamento, a  cura está muito condicionada a sua personalidade, podemos usar como exemplo: há pessoas que dizem: “não vou mais conversar com fulano” e nunca mais conversam! Portanto, há pessoas que dizem: “não faço” ou “faço” e cumprem o prometido.  Enfim, muitos deixam o álcool ou as drogas sem necessitar de nenhum tratamento, por uma determinação pessoal.

     Pois bem, por que então muitos procuram tratamento e poucos conseguem de fato parar? Respondo da seguinte maneira: muitos que procuram entidades e clínicas, no seu íntimo não estão com a convicção deste propósito. Muitos que procuram tratamento vão por questões circunstanciais e momentâneas. Procuram tratamento para agradar à família; para recuperar o organismo; para fugir da polícia ou por motivos de dívidas, enfim, procuram por mil motivos menos o de, de fato, deixarem as drogas ou o álcool. Sendo assim, não vão conseguir mesmo vencer as drogas.

     O trabalho das comunidades terapêuticas e das clínicas é resgatar a auto-estima e trabalhar o emocional, no entanto, isto ocorre  a partir da permissão do paciente, porém sem esta convicção de deixar as drogas ou o álcool, não é possível fazer nada. 

     As clínicas ou tratamentos para dependentes químicos procuram ajudar àqueles que desejam de fato deixar as drogas, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida. Isto é, ser um suporte emocional resgatando-lhes a força, através de uma análise e um propósito, para que o processo de abstinência não seja tão doloroso, como o que ocorre sem uma ajuda emocional e sem o conhecimento da doença e de suas conseqüências.
   

     Enfim, o pequeno índice de recuperação, se deve também ao fato de ter que haver um verdadeiro propósito daquele que deseja vencer as drogas ou o álcool, somando-se às questões bio-psico-sociais,  levando-se em consideração o histórico da pessoa, mas sobretudo, o seu verdadeiro desejo de parar de usar drogas.

          Revisão:
          Vera Lucia Cardoso

Ataíde Lemos; Poeta e Escritor
Autor dos Livros:
Drogas Um Vale Escuro Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas  

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Meu melhor presente



 
Meu melhor presente 
É ter você presente aqui.
Meu melhor presente 
É novamente sorrir
Por outra vez saber
Que voltou a ser feliz.
 
Meu melhor presente
É ver que ficou pra trás
Todo um triste passado 
Que não desejo mais 
E o tempo levará.
 
Meu melhor presente
É seu sorriso estampado
Após anos amordaçado 
Numa prisão sem fim.
Mas, agora junto a mim
Retorna teus planos.
 
Meu melhor presente
Não tenho como agradecer
Esta felicidade em te ver
Com novos sentimentos
Cheio de bons pensamentos.  


Ataíde Lemos

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Grupos de Apoio as Famílias de Dependentes Químico



Recebo vários e-mails de pessoas com problemas relacionados às drogas. Pessoas que às vezes tem um filho ou um cônjuge dependente, porém não sabem o que fazer e muito menos a quem recorrer. Normalmente, estas pessoas já se encontram co-dependentes em estágios avançados e precisam tanto ajudar seus entes como necessitam de ajuda a si próprios.

A única resposta que tenho como retorno a estes e-mails é pedir que insiram nos grupos de auto ajuda. Que recorram aos órgãos públicos para buscarem orientação, internações ou ainda procurem ajuda profissional. Enfim, para tratar dependência química é fundamental o tratamento conjunto entre o dependente e a família. Pois, a dependência química adoece todo o núcleo. É importante ressaltar que em determinados casos a dependência é conseqüência de uma estrutura emocional anterior a dependência tanto do dependente como da família.

No entanto, o grande problema é que; são poucas as cidades que possuem grupos de mutua ajuda ou há profissionais preparados para dar suporte e tratamento as famílias e portadores de dependência química. Também grande maioria das cidades não tem órgãos públicos preparados para assistirem os familiares corretamente. Em suma, o grande índice de dependência ou a falta de apoio ao tratamento e, conseqüentemente, às recaídas deve-se a falta de entidades civis e públicas de um modo geral. 

Por outro lado, recebo vários e-mails de diversas localidades, onde pessoas relatam a felicidade por terem superado as drogas em seus lares e que sentem vontade em fazer algo voluntariamente nesta área.

Hoje, o problema de dependência ocorre em todas as cidades, no entanto, faltam entidades para assistir familiares, neste sentido, é fundamentais pessoas que conseguiram vencer as drogas se unem somando os esforços e assim, criem entidades de apoio às famílias co-dependentes. Certamente esta atitude colabora tanto no fortalecimento daqueles que passaram por este drama, bem como é uma maneira de retribuírem a graça de terem seus entes recuperados. 

Pessoas podem perguntar; mas como iniciar tal trabalho? Pois bem, há entidades sérias como, por exemplo, o Amor Exigente, a Igreja Católica através da Pastoral da Sobriedade, mas há também inúmeras entidades de tratamentos que possuem grupos de mutua ajuda visando dar assistência às famílias. Sendo assim, o ideal é que, após as pessoas interessadas decidirem fazer algo em prol a esta causa se unam e busquem orientações nas entidades acima citadas ou em outras para formarem núcleos em suas cidades ou mesmo terem informações suficientes para fundarem seus próprios grupos.


Finalizando, é preciso que aqueles os quais passaram por este drama unam-se em prol esta causa, para que possam criar em todas as cidades grupos de auto ajuda para atenderem famílias dando o suporte emocional a elas. Não tenho duvidas que estas iniciativas alavancarão outros movimentos forçando as instituições  públicas darem suas respostas também.


Ataíde Lemos
Autor dos livros Drogas; Um Vale Escuro e Grande Desafio para Familia 
O Amor Vence as Drogas 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os debates sobre drogas em anos eleitorais



Todo período eleitoral, a maioria dos candidatos independente o cargo postulado levantam a bandeira contra as drogas, seus discursos são: “é preciso dar tratamento para os dependentes químicos e as suas famílias, combater o tráfico de drogas, etc, etc.”

Mostram a realidade das drogas sendo estritamente fieis aos acontecimentos, mostrando-se atualizados a tudo que está ocorrendo em termos das drogas e o sofrimento tanto dos dependentes químicos como os das famílias e a ausência do Estado. Suas plataforma políticas sobre este tema se estende deste o trafico, a demanda, prevenção, ao tratamento a reinserção social. Porém, passa-se a eleição e quando ao chegar o novo pleito observamos que o discurso é o mesmo, no entanto, tudo ficou no mesmo, ou melhor, piorou o quadro. Enfim, o que constatamos é que mais pessoas entraram nas drogas, mais famílias se encontram desprotegidas do Estado em relação ao tratamento de seus entes.

Diante este quadro a resposta que podemos deduzir é que falar em drogas conquista votos, pois hoje existe um enorme desespero da sociedade, de um modo geral, que está na busca de uma solução e quando aparecem políticos com discursos sentimentais, ou seja, vão fazer isto ou aquilo para minimizar esta triste realidade acabam por conquistar votos.

Se fizermos um diagnostico da realidade das drogas e da atuação do Estado, iremos chegar a dados lamentáveis tanto na sua ação junto às famílias como aos dependentes químicos em relação ao apoio e tratamento a elas, bem como sua ação às entidades que atuam nesta área.

Primeiramente, iremos constatar que o numero de centros específicos para tratamentos à dependência química oferecidos pelo Estado é pífio em relação à demanda. Também iremos constatar que sua atuação em termos de ajuda financeira as entidades não governamentais que atuam nesta área é quase que zero, deixando estas instituições praticamente sem condições mínimas necessárias para oferecerem tratamento de qualidade aos seus recuperandos. Enfim, uma total ausência do Estado que vem de muitos anos.

Há 12 anos que atuo nesta área e deste aquele período o ckak já se configurava como uma droga de efeito avassalador, porém se passou uma década e o discurso continua o mesmo, no entanto o que podemos ver é que ela aumentou de forma assustadora.

Durante todos estes anos o que pudemos observar é que, apenas houve Conferências e mais Conferências onde se promoveram vários documentos com diretrizes para se criar redes de proteção às famílias e aos dependentes químicos, porém todas estas diretrizes ficaram e ficam apenas no papel sem serem implementados com raríssimas exceções . Isto é fácil de se constatar quando as famílias procuram atendimentos tanto para elas quanto para seus entes.

Portanto, é necessário ficar atento de quais candidatos surgem os discurso de combate às drogas; observar o que tal candidato que aborta este tema já tem feito durante sua vida pública para minimizar o problema. Pesquisar se tal candidato faz algum trabalho ligado a esta área. Enfim, não ser iludido pelo sentimentalismo que naturalmente nos leva a acreditar em propagandas de campanha.

Ataíde Lemos

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Trabalhar a prevenção às drogas na Escola



Trabalhar a questão das drogas na Educação em nível de ensino fundamental e médio, penso que deva ser de formas especificas e direcionadas. Quando abordamos drogas, este tema é muito amplo e pode abrir leques para varias interpretações ou mesmo varias brechas para questionamentos contraditórios.

Uma das abordagens para se trabalhar na escola tal assunto é propiciar ao estudante adolescente, aos jovens de ensino médio aprenderem a relacionar consigo mesmo; aprenderem resolverem seus conflitos internos; criando perspectivas de vida saudável; incentivá-los correrem atrás de seus projetos motivando-o.

Cabe a escola orientar, abrir espaços dando meios para que os adolescentes e os jovens procurem lapidarem-se e assim terem condições de atingirem seus objetivos dentro de seus limites.

Uma sociedade é construída e avaliada pela Educação. Pessoa as quais recebem uma Educação de qualidade terão mais senso critico da vida, atingindo sem duvida patamares mais elevados de conceitos, de valores éticos, morais espirituais e de cidadania.

Seguindo esta linha de raciocino, o trabalho antidrogas deve ser continuo e sua abordagem não necessariamente deve centralizar sobre ela especificamente, mas oferecer e proporcionar alternativas de qualidade de vida – dentro desta qualidade de vida o aprender a lidar consigo mesmo e a busca de ideais.


Algo fundamental que seja necessário também é proporcionar aos adolescentes e jovens conhecerem seus limites sejam eles em quais forem – emocionais, físicos, financeiros e ao mesmo tempo passo a passo superá-los para assim conviverem com todas as características individuais, proporcionar também aprenderem a enfrentar e superar os fracassos e as limitações.

A Educação deve quebrar as barreiras do ensino, deve ser uma fonte de conhecimentos intelectuais, mas sobretudo ser uma fonte do desenvolvimento da individuação social de cada ser humano.

A partir do momento que o tema droga passar a ser trabalhado com muita eficácia, englobando direta ou indiretamente em todas as disciplinas curriculares, ser inserido psicologicamente de cada estudante, estará sendo incutida na formação da própria personalidade do homem como algo prejudicial e os mecanismos para superar a busca.

Todos os meios usados para que se faça a prevenção às drogas são de fundamental importância, o que deve ocorrer é uma sintonia entre estes meios. Pouco resolve uma vez a cada seis meses convidar palestristas se um trabalho preventivo resumir apenas nestas palestras como meio preventivo nas escolas. Este tipo de prevenção é apenas uma vertente.

Da mesma maneira é de grande importância o trabalho que o PROERD faz, promovendo curso nas escolas, mas é importante frisar que este curso se realiza apenas na 4ª e agora iniciando na 6ª series também. Da mesma forma, este curso realizado pelo PROERD é uma vertente. É importante que haja um cronograma de tais projetos em uma grade curricular fechando um ciclo anual que venha somar em outros projetos pedagógicos e não tê-los como linhas mestras apenas para trabalhar a prevenção.

É importante ter claro que a questão do uso de drogas é uma questão existencial, isto é, está inserido dentro do Ser humano, pois ela (droga), de certa forma faz com que a pessoa tenha prazer e externe suas sombras. Certamente, discursos contrários não atingem o jovem, então fundamental seja que proporcione este mesmo prazer através de atividades sadias ou mesmo ajuda-los dando-lhes subsídios para que os adolescentes e jovens aprendam lidarem com suas sombras.

Ataíde Lemos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ainda há tempo



Em busca da liberdade
Trancafiou-se numa prisão
Indo atrás da felicidade
Deu-se de encontro com a frustração
Não aceitando a diversidade
Abraçou-se a solidão
Revoltando-se contra a sociedade
Tornou-se só na escuridão.

E assim, perdeu-se no tempo
Foram-se embora bons momentos
Restando ressentimentos
Deixando doente os sentimentos.

Desejou-se tanto que se perdeu
Chora pelos cantos, se arrependeu
De tudo que quis nada aconteceu
Ou melhor, somente sofreu.

Mas há uma esperança a se agarrar
Levante a cabeça e vai procurar
Alguém que possa te ajudar
Desta doença se libertar.

Mesmo que o dia se escureceu
Ainda que a luz não apareceu
Acredite que não se perdeu
Pois tens o amor de Deus.

Ataíde Lemos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As famílias e as drogas


Numa conversa com meu filho de 15 anos sobre um ex-colega dele que fora preso, ele me contara que este adolescente está vendendo drogas. Ao aprofundamento de nosso dialogo me relatava sobre fatos que presencia em seu dia a dia sobre este assunto.

Fiquei sereno e dando liberdade para que expusesse o cotidiano em relação às drogas em meu bairro. Fatos que ele, como garoto que brinca em quadras de esportes, estuda em colégio público, que interage com as pessoas presencia rotineiramente.

Voltando ao caso deste adolescente, que está hoje traficando, lembro-me que desde 10 até aos 13 anos este adolescente brincava com meu filho em minha casa, faziam e soltava pipas, até que ele se afastou e hoje não andam mais juntos, embora se conheçam e se cumprimentam. Meu filho disse ter afastado dele devido estar nesta vida.

Pois bem, a finalidade de descrever este acontecimento é promover uma reflexão; nós pais, não temos como colocar nossos filhos numa bolha ou redoma e mantermos de olhos fixos 24 horas todos os dias. Não temos como sentar ao lado deles numa sala de aula e ficar o tempo todo junto a eles, estando sempre aos lugares que estão. Nem mesmo com toda tecnologia oferecida, não há como monitora-los o tempo todo.

Com a medida em que há evolução da sociedade acontece, segundo ocorrem as mudanças culturais e também as estruturas familiares, nossos filhos vão conquistando mais espaços, terão mais liberdade ficando vulneráveis como terão varias opções de escolhas de vida; opções estas, que muitas vezes estão em desacordo com suas maturidades.

É preciso que os pais também sejam conscientes que as drogas cada vez mais estarão acessíveis aos seus filhos; esta é uma realidade que não há como evitar. Embora, possa haver políticas que visam o seu combate é impossível que ela (droga) não se expande chegando às nossas ruas, vizinhos, etc. – esta já é uma realidade.

Enfim, como conseguir dar uma estrutura emocional para os filhos diante toda esta realidade, para que eles possam saber fazer escolhas certas, evitando assim, envolver-se com drogas? Certamente, este é um grande desafio da família, da sociedade e do Estado enquanto promotor de políticas públicas de prevenção às drogas.

Os desafios dos pais estão na formação do caráter, no desenvolvimento espiritual e na educação quanto aos valores universais do Ser humano como também no acompanhamento sócio e emocional dos filhos. A sociedade cumpre um papel importante nesta formação; já que somos frutos do meio em que vivemos, ou seja, somos influenciadores e influenciáveis ao que nos rodeia. Neste sentido, cabe a sociedade através da mídia, através das entidades promoverem sempre a pessoa com olhos voltados para a formação cultural, social e por fim, ao Estado cabe como executor e fomentador de políticas que visam promover o adolescente, jovem e as famílias para que através de projetos sociais; projetos relacionado a prevenção as drogas possam atingir de fato a sociedade como um todo e assim, construir uma estrutura para esta nova realidade da sociedade que vai se constituindo conviva em harmonia com a diversidade como também diminuir o uso de drogas incentivado pela queda da demanda.

Ataíde Lemos

Autor dos livros:
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Internação para dependentes químicos



      O tratamento através de internação para dependentes químicos, quase sempre é o ultimo recurso usado pelo dependente para tratar-se da doença. Certamente, a busca pela internação, ocorre quando todos os outros meios usados não obtiveram resultados satisfatórios, muito embora, ao meu ver, toda busca de tratamento quer seja através de grupos de mutua ajuda, psicoterapias individuais e outros tipos de tratamento são válidos, pois a recuperação é um processo, onde por meios de varias tentativas, ainda que pareçam frustrantes, sempre atinge um processo de crescimento do individuo na busca de sua sobriedade.

     Quando me refiro que a internação é sempre a ultima fase do tratamento, realmente ela precisa ser, até porque, para uma pessoa interna-se precisa estar predisposta e consciente para se manter um determinado tempo dedicando-se inteiramente a si próprio e, para que isto ocorra o recuperando deve estar focado apenas em seu tratamento. É muito complicado manter-se numa entidade por um período determinado quando se está com parte do tempo inserido dentro da entidade, isto é, com pensamento unicamente voltado ao seu tratamento e outra pensando no que deixou lá fora da entidade. Enfim, um recuperando que esteja internado, porém com pendências extra-entidade certamente estes mecanismos serão usados pela sua dependência para abortar o tratamento.

     Outro fato importante que também se torna essencial à internação ser uma ultima fase é que, a internação acaba sendo uma nova experiência para um recuperando pelo fato de estar sobre um regulamento, ou seja, o recuperando precisa ser consciente que terá sua liberdade limitada, vigiada e disciplinada precisando respeitar os direitos dos outros como também permanecerá por um tempo longe dos familiares. Se realmente ele não estiver com este propósito não resistirá ao tratamento.

     Portanto, algo se precisa refletir; os dependentes químicos não precisariam chegar a internação, no entanto, para muitos, somente acordam para o fato de sua dependência quando perderam quase tudo, por exemplo, a saúde, a família a vida social e assim, a internação tornam-se algo necessário e como ultima oportunidade. No entanto, por outro lado, a internação é um fator positivo para o recuperando, pois a partir do nada ele inicia se transformando num novo homem, quando de fato ele deseja vencer as drogas. Normalmente ao se encontrar no fundo de poço e não tendo mais onde baixar-se o recuperando passa através de sua força de vontade, por meio de experiências mutuas, através do desenvolvimento espiritual se reerguer, porém como uma nova pessoa. Sempre uso de um pensamento: Não há sobriedade permanente se não houver a transformação interior em seu todo.

Ataíde Lemos 

domingo, 25 de julho de 2010

QUANTO VALE UMA PESSOA?!


Depende de quem o avalie.
Para alguns analizará perfil
Então, vão levar em consideração
A cor dos olhos, da pele
A posição social, financeira
Se trabalha ou se vive na rua
Se estuda ou é analfabeto
Se tem família regular ou não
Ou se é filho somente de pai ou de mãe.
Se tem casa ou mora nas praças
Se usa brinco, possui tatuagens
Se é um jovem careta ou usuário de drogas.
Se mora na zona sul, ou em barracos.
Se anda limpo ou maltrapilho...
Se está no útero, se é criança, ou idoso
Se é homo ou heterossexual...

Quanto vale uma pessoa?!
Depende a intensidade do preconceito,
O real sentido da palavra amor para o avaliador.
Depende do valor que se dá para vida.
Quem a valoriza a sua egoisticamente
A do outro, não terá muito valor certamente.

"Ataíde Lemos"

sábado, 10 de julho de 2010

Conto - Vanessa e as drogas






Vanessa era uma adolescente que despertava atenção de todos os garotos do bairro em que morava, bem como, chamava atenção por onde passava pela sua beleza e simpatia. Tinha apenas 15 anos, mas aparentava uns 18, devido sua estrutura física. Era loira, de cabelos ondulados 1,70 de altura, 55 kilos, uma pele bem clara. Enfim, uma adolescente que despertava desejo possuindo muitos pretendentes.

Seus pais viviam sempre atentos com ela, por ser uma menina de personalidade difícil, pois era teimosa, preguiçosa. e também  por gostar de sair muito a noite seus pais a controlava impondo limites e isso provocava muito atritos dela com seus pais.

Cursava o 1º ano do ensino médio, sempre seus boletins eram recheados de notas boas. Na maioria das vezes, logo no terceiro bimestre era comum fechar as notas passando para a próxima série.

Adolescência é uma fase de descobertas, onde os jovens iniciam suas vidas afetivas, contestações, rebeldias, puberdade, etc. Uma fase de indagações e período onde inicia  os atrações por outras pessoas, a sexualidade e com Vanessa não foi diferente.

Na escola onde estudava havia um jovem que se chamava Ricardo, tinha 18 anos, muito simpático que despertava os sentimentos de Vanessa. Este interesse era recíproco entre ambos, porém, Ricardo era um jovem namorador, vivia no meio da malandragem e ainda era um usuário e traficante de drogas.

Com muita lábia, Ricardo pouco a pouco foi conquistando o coração de Vanessa, deixando-a cada vez mais apaixonada por ele. Os costumes e o comportamento de Ricardo foram influenciando a maneira de ser de Vanessa. Porém seus pais, ao perceberem o interesse da filha por este jovem, já conhecendo a fama deste rapaz, procurou de todas as maneiras evitar que os dois mantivessem um relacionamento até mesmo uma simples amizade, no entanto, as medidas usadas pelos pais para afastarem os dois criaram mais revolta ainda na filha deixando-a rebelde e provocando um clima péssimo naquele lar. Eram comuns as discussões entre eles e, por vezes, ela  ficava horas e horas trancada no quarto. No entanto, todas as barreiras que os pais criaram para distanciar os dois jovens não resolveu, pelo contrario, sempre arrumavam um jeito para se verem.

Ricardo cada vez mais se entregava as drogas e já  não tendo como sustentar seu vicio fazia pequenos furtos e também começou a fazer tráfico. Vanessa, completamente apaixonada por ele, resistia ao apelo do namorado para experimentar drogas até que um dia ele a embriagou e sem que percebesse colocou drogas na bebida dela, fazendo-a sentir muito bem, criando nela um estado de euforia, uma sensação de liberdade, prazer. Um aumento de adrenalina, a partir de então, Vanessa deu inicio nas drogas.

Ricardo percebendo que Vanessa encontrava completamente dependente, pois a todo instante lhe pedia drogas, passou usá-la para traficar. Isto é, somente lhe dava drogas caso ela conseguisse repassar para outras pessoas, e assim, Vanessa apaixonada por ele e completamente dependente cedeu ao seu pedido tornando-se também traficante, mas por ser uma jovem muito bonita e dependente passou a ser usada sexualmente por outros jovens traficantes que, sabendo de sua dependência lhe forneciam drogas em troca de atos sexuais. Ricardo completamente dependente, por vezes, obrigava Vanessa sair com outras pessoas, a fim de obter mais drogas para o seu consumo e para vendas.

Vanessa vivia muitas humilhações sexuais, degradação moral e de sua dignidade de mulher. Varias vezes foi obrigada – pela dependência – manter relações com varias pessoas ao mesmo tempo, chegando a provocar três abortos que ocorreram por uso de medicamentos e um deles feito numa clinica clandestina.

A vida dos pais de Vanessa, transformou-se num verdadeiro inferno com aquela situação da filha e por também não saberem como ajudá-la a sair das drogas. Eles (pais) não sabiam de nada que estava ocorrendo com a filha quanto a vida sexual intensa dela e a de prostituição, para eles o problema de Vanessa era somente com as drogas.

Por varias vezes, os pais encontraram a filha em estado lastimável de drogadição e aquilo era motivo de brigas entre o casal, um sentimento de culpa envolveu  os dois. Vanessa, por varias vezes, ficava dias fora de casa sem que os pais soubessem por onde ela se encontrava, isto os levava a procurem no instituto médico legal, em delegacias, até que de repente, ela aparecia toda desfigurada, suja, maltrapilha.

Seus pais internaram muitas vezes em clinicas, porém ficavam somente em dividas, pois Vanessa não conseguia terminar um tratamento sequer.  Era comum ao se encontrar intoxicada pedir ajuda, mas logo que melhora arrumava desculpas para abandonar o tratamento.

Durante sete anos Vanessa teve uma vida totalmente destruída e escrava das drogas. Sua vida ativa de abusos sexuais e de drogadição apenas atenuou quando seus pais procuraram ajuda em grupos de apoio e com profissionais saúdes preparados. Assim, puderam acompanhar mais de perto a vida da filha nas drogas, evitando o máximo às investidas sexuais dos usuários de droga.

Vanessa estava totalmente dependente, porém os pais passaram a ficar mais atentos e preparados para ajudar a filha tirando-lhe os espaços dela, mudando a maneira de dialogar com a filha, dando mais carinho, atenção. A partir daí a Vanessa começou a se abrir  mais com eles e perceber o estado que se encontrava.

Muito embora, Vanessa houvesse internado muitas vezes, ela não buscava ajuda para sair das drogas, mas sim, desintoxicar-se. Porém, com seu estado critico e já se sentindo no fundo de poço e com o apoio da família despertou nela um desejo real de mudança e buscou tratamento com determinação de realmente sair daquela dependência biológica e psicológica que se encontrava.

Mesmo com o apoio da família, determinação não foi fácil para Vanessa vencer as drogas Ela teve muitas recaídas, passou por períodos de intensa depressão, um vazio existencial. Teve que lutar bastante contra a ansiedade, a fissura das drogas e de toda uma identidade inconsciente que a dependência construiu em seu psicológico, porém, Vanessa manteve-se firme em sua decisão de vencer as drogas. e  mesmo quando recaía logo se reestruturava e firmava-se novo propósito sempre fortalecido pela família.

E assim, Vanessa mesmo sofrendo as conseqüências biológicas e emocionais de sua vida na dependência – devido aos abortos, ficou estéril– conseguiu vencer as drogas, tornando-se uma moça feliz. Apesar de tudo que viveu, para ela sair do fundo do poço onde se encontrou já era motivo de felicidade.

Vanessa passou a atuar em trabalho de prevenção ajudando mulheres envolvidas com drogas. Casou, adotou dois filhos e assim, a vida seguiu em frente, retornando assim, a paz tanto para ela, quanto para seus familiares.



          
  Ataíde Lemos

Obs. Estes nomes são ficticios.

Comunidade Terapêutica Jeová Shalom

Gostaria de deixar neste tópico informações para aqueles que tem problemas relacionado às drogas e deseja tratamento.Somos diretores uma entidade para tratamento a dependentes químicos chamada “Comunidade Terapêutica Jeová Shalom”.Já atuamos nesta área de tratamento há quase 12 anos.
Para maiores informações aqui estão dados da entidade para aqueles que estão a procura de tratamento.

· A entidade se localiza na cidade de Ouro Fino sul de Minas Gerais, está há 200 km de São Paulo, 480 km do Rio de Janeiro e 490 km de Belo Horizonte. A instituição trata apenas o sexo masculino.

· A instituição é evangélica: Isto não significa que somente atende a evangélicos, pelo contrario, a entidade recebe todos sem distinção de credo, raça, etnia, etc. no entanto, os princípios da espiritualidade é Cristã.

· É proibido fumar cigarro de tabaco. Segundo entendimento da entidade tabaco é também uma droga que precisa ser combatida. Muitas vezes o próprio uso do cigarro acaba sendo um fator de levar o dependente a ter suas recaídas.

· O tratamento se dá através do tripé; Laborterapia, espiritualidade e reunião de grupos. A reunião de grupo é subdividida em palestras, dinâmicas e os doze passos.

· O tempo de duração do tratamento é de seis meses divididos em: dois meses para desintoxicação, dois para conscientização e mais dois anos destinado a ressocialização.

· Embora a entidade esteja registrada nos órgãos públicos, como ocorre com a maioria das Comunidades Terapêuticas não recebe verbas dos poderes públicos e como tem que se manter, ela pede a titulo de doação uma contribuição de R$ 250,00 mensais para poder custear as despesas de manutenção da instituição.

Pois bem, estas são as informações básicas, caso há interesse basta entrar em contato:
potifar@hardonline.com.br

Presidente:
Apostolo Profº Roberto Wagner Alves Ferreira