Palestras Sobre Drogas

Há 12 anos sou voluntário na área de Dependência Química, atuando no tratamento por meio de Comunidade Terapêutica. Tenho alguns livros publicados “Drogas um vale escuro e grande desafio para família" e "O amor vence as Drogas”, e mais de uma centena de Artigos relacionado a este tema.


Faço palestra sobre Dependência Química. Aqueles que desejarem basta entrar em contato pelo e-mail ataide.lemos@gmail.com


domingo, 25 de julho de 2010

QUANTO VALE UMA PESSOA?!


Depende de quem o avalie.
Para alguns analizará perfil
Então, vão levar em consideração
A cor dos olhos, da pele
A posição social, financeira
Se trabalha ou se vive na rua
Se estuda ou é analfabeto
Se tem família regular ou não
Ou se é filho somente de pai ou de mãe.
Se tem casa ou mora nas praças
Se usa brinco, possui tatuagens
Se é um jovem careta ou usuário de drogas.
Se mora na zona sul, ou em barracos.
Se anda limpo ou maltrapilho...
Se está no útero, se é criança, ou idoso
Se é homo ou heterossexual...

Quanto vale uma pessoa?!
Depende a intensidade do preconceito,
O real sentido da palavra amor para o avaliador.
Depende do valor que se dá para vida.
Quem a valoriza a sua egoisticamente
A do outro, não terá muito valor certamente.

"Ataíde Lemos"

sábado, 10 de julho de 2010

Conto - Vanessa e as drogas






Vanessa era uma adolescente que despertava atenção de todos os garotos do bairro em que morava, bem como, chamava atenção por onde passava pela sua beleza e simpatia. Tinha apenas 15 anos, mas aparentava uns 18, devido sua estrutura física. Era loira, de cabelos ondulados 1,70 de altura, 55 kilos, uma pele bem clara. Enfim, uma adolescente que despertava desejo possuindo muitos pretendentes.

Seus pais viviam sempre atentos com ela, por ser uma menina de personalidade difícil, pois era teimosa, preguiçosa. e também  por gostar de sair muito a noite seus pais a controlava impondo limites e isso provocava muito atritos dela com seus pais.

Cursava o 1º ano do ensino médio, sempre seus boletins eram recheados de notas boas. Na maioria das vezes, logo no terceiro bimestre era comum fechar as notas passando para a próxima série.

Adolescência é uma fase de descobertas, onde os jovens iniciam suas vidas afetivas, contestações, rebeldias, puberdade, etc. Uma fase de indagações e período onde inicia  os atrações por outras pessoas, a sexualidade e com Vanessa não foi diferente.

Na escola onde estudava havia um jovem que se chamava Ricardo, tinha 18 anos, muito simpático que despertava os sentimentos de Vanessa. Este interesse era recíproco entre ambos, porém, Ricardo era um jovem namorador, vivia no meio da malandragem e ainda era um usuário e traficante de drogas.

Com muita lábia, Ricardo pouco a pouco foi conquistando o coração de Vanessa, deixando-a cada vez mais apaixonada por ele. Os costumes e o comportamento de Ricardo foram influenciando a maneira de ser de Vanessa. Porém seus pais, ao perceberem o interesse da filha por este jovem, já conhecendo a fama deste rapaz, procurou de todas as maneiras evitar que os dois mantivessem um relacionamento até mesmo uma simples amizade, no entanto, as medidas usadas pelos pais para afastarem os dois criaram mais revolta ainda na filha deixando-a rebelde e provocando um clima péssimo naquele lar. Eram comuns as discussões entre eles e, por vezes, ela  ficava horas e horas trancada no quarto. No entanto, todas as barreiras que os pais criaram para distanciar os dois jovens não resolveu, pelo contrario, sempre arrumavam um jeito para se verem.

Ricardo cada vez mais se entregava as drogas e já  não tendo como sustentar seu vicio fazia pequenos furtos e também começou a fazer tráfico. Vanessa, completamente apaixonada por ele, resistia ao apelo do namorado para experimentar drogas até que um dia ele a embriagou e sem que percebesse colocou drogas na bebida dela, fazendo-a sentir muito bem, criando nela um estado de euforia, uma sensação de liberdade, prazer. Um aumento de adrenalina, a partir de então, Vanessa deu inicio nas drogas.

Ricardo percebendo que Vanessa encontrava completamente dependente, pois a todo instante lhe pedia drogas, passou usá-la para traficar. Isto é, somente lhe dava drogas caso ela conseguisse repassar para outras pessoas, e assim, Vanessa apaixonada por ele e completamente dependente cedeu ao seu pedido tornando-se também traficante, mas por ser uma jovem muito bonita e dependente passou a ser usada sexualmente por outros jovens traficantes que, sabendo de sua dependência lhe forneciam drogas em troca de atos sexuais. Ricardo completamente dependente, por vezes, obrigava Vanessa sair com outras pessoas, a fim de obter mais drogas para o seu consumo e para vendas.

Vanessa vivia muitas humilhações sexuais, degradação moral e de sua dignidade de mulher. Varias vezes foi obrigada – pela dependência – manter relações com varias pessoas ao mesmo tempo, chegando a provocar três abortos que ocorreram por uso de medicamentos e um deles feito numa clinica clandestina.

A vida dos pais de Vanessa, transformou-se num verdadeiro inferno com aquela situação da filha e por também não saberem como ajudá-la a sair das drogas. Eles (pais) não sabiam de nada que estava ocorrendo com a filha quanto a vida sexual intensa dela e a de prostituição, para eles o problema de Vanessa era somente com as drogas.

Por varias vezes, os pais encontraram a filha em estado lastimável de drogadição e aquilo era motivo de brigas entre o casal, um sentimento de culpa envolveu  os dois. Vanessa, por varias vezes, ficava dias fora de casa sem que os pais soubessem por onde ela se encontrava, isto os levava a procurem no instituto médico legal, em delegacias, até que de repente, ela aparecia toda desfigurada, suja, maltrapilha.

Seus pais internaram muitas vezes em clinicas, porém ficavam somente em dividas, pois Vanessa não conseguia terminar um tratamento sequer.  Era comum ao se encontrar intoxicada pedir ajuda, mas logo que melhora arrumava desculpas para abandonar o tratamento.

Durante sete anos Vanessa teve uma vida totalmente destruída e escrava das drogas. Sua vida ativa de abusos sexuais e de drogadição apenas atenuou quando seus pais procuraram ajuda em grupos de apoio e com profissionais saúdes preparados. Assim, puderam acompanhar mais de perto a vida da filha nas drogas, evitando o máximo às investidas sexuais dos usuários de droga.

Vanessa estava totalmente dependente, porém os pais passaram a ficar mais atentos e preparados para ajudar a filha tirando-lhe os espaços dela, mudando a maneira de dialogar com a filha, dando mais carinho, atenção. A partir daí a Vanessa começou a se abrir  mais com eles e perceber o estado que se encontrava.

Muito embora, Vanessa houvesse internado muitas vezes, ela não buscava ajuda para sair das drogas, mas sim, desintoxicar-se. Porém, com seu estado critico e já se sentindo no fundo de poço e com o apoio da família despertou nela um desejo real de mudança e buscou tratamento com determinação de realmente sair daquela dependência biológica e psicológica que se encontrava.

Mesmo com o apoio da família, determinação não foi fácil para Vanessa vencer as drogas Ela teve muitas recaídas, passou por períodos de intensa depressão, um vazio existencial. Teve que lutar bastante contra a ansiedade, a fissura das drogas e de toda uma identidade inconsciente que a dependência construiu em seu psicológico, porém, Vanessa manteve-se firme em sua decisão de vencer as drogas. e  mesmo quando recaía logo se reestruturava e firmava-se novo propósito sempre fortalecido pela família.

E assim, Vanessa mesmo sofrendo as conseqüências biológicas e emocionais de sua vida na dependência – devido aos abortos, ficou estéril– conseguiu vencer as drogas, tornando-se uma moça feliz. Apesar de tudo que viveu, para ela sair do fundo do poço onde se encontrou já era motivo de felicidade.

Vanessa passou a atuar em trabalho de prevenção ajudando mulheres envolvidas com drogas. Casou, adotou dois filhos e assim, a vida seguiu em frente, retornando assim, a paz tanto para ela, quanto para seus familiares.



          
  Ataíde Lemos

Obs. Estes nomes são ficticios.

sábado, 26 de junho de 2010

Internação involuntária para dependentes químicos



          Inconscientemente, toda busca de tratamento para dependência química por meio de internação ocorre de maneira involuntária, pois o dependente ao se inserir numa clinica ou numa comunidade terapêutica estará sujeito a determinadas regras que não seja de sua vontade. Enfim, mesmo que ele esteja por sua vontade, de alguma forma, sente-se preso pela limitação da liberdade e do espaço físico. No entanto, mesmo que, esta decisão seja involuntária é uma tomada de atitude por vontade própria num desejo de deixar as drogas. É importante ressaltar que, normalmente a procura de tratamento ocorre num momento em que o dependente esteja passando por uma situação de intenso sofrimento psicológico, físico e social ou por algum outro fator externo que o leve a pedir internação.

        Porém, como é estatisticamente comprovada, grande maioria daqueles que decidem trata-se “voluntariamente” não completam o tratamento. Isto, deve-se as características da doença da dependência química que são: a ânsia, a fissura, etc. Enfim, a dependência física e psíquica torna-se o fator essencial para o aborto dos recuperandos ao tratamento. Portanto para que alguém consiga completar todas as etapas do tratamento, exige-se muita dedicação, força vontade, espiritualidade, apoio familiar entre outros, ou seja, precisa querer e estar com muita vontade de livrar-se das drogas.

          Pois bem, partindo do principio de que o tratamento a dependência química parte de uma vontade pessoal do dependente a entidade não tem como obrigá-lo permanecer internado involuntariamente por duas razões simples; o não cumprimento do regimento interno da entidade e a desestabilização emocional dos outros internos que estão em tratamento.

          A partir do descrito acima, é impossível um tratamento involuntário, por meio da imposição de terceiros seja através da família ou do Estado. Qualquer tentativa neste sentido, deixa de ser tratamento tornando-se outro recurso utilizado como plano de fundo para minimizar o sofrimento da família ou retirar tais doentes de circulação trancafiando em “prisões” intituladas de clinicas.

          Como já abordei em artigos anteriores; há apenas duas maneiras de manter internado um dependente químico involuntariamente que são: usar da violência física e emocional ou mantê-los sobre medicamentos (psicotrópicos) o tempo todo. Certamente, estes expedientes causam indignação à sociedade e prejuízos irreparáveis aos dependentes químicos de ordem psicológicos e psiquiátricos. Quantas denuncias ocorrem de entidades que mantém seus internos em estado de violência física e emocional? Entidades que são denunciadas por maus tratos? Muitas vezes tais situações ocorrem devido ao internamento involuntário. Isto é, a família paga uma mensalidade e as entidades para manterem seus caixas acabam usando da violência para com os internos. Em suma, por dinheiro algumas clinicas ou comunidades terapêuticas mantem seus pacientes involuntariamente.

          Finalizando, mesmo que um dependente químico procure tratamento, sua decisão é por necessidade, portanto, inconscientemente involuntária, porém pela vontade do dependente e mesmo assim, a maioria esmagadora deles abortam o tratamento. Sendo assim, imaginar que uma internação involuntária através do Estado leve um dependente químico a tratar-se é ser ingênuo demonstrando não ter conhecimento sobre a dependência química ou estar com outras intenções que não seja o especificamente o tratamento desta pessoa que se encontra dependente.

          Ataíde Lemos 


            Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
            O Amor Vence de Drogas

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ckack uma droga em discussão






















          O ckack não é uma droga nova, há quase duas décadas vem destruindo adolescentes e jovens. Segundo estatísticas, não são mais os adolescentes os consumidores desta droga, ela já atinge faixas etárias entre 35 a 45 anos. Certamente, esta faixa etária está relacionada ao tempo em que ela surgiu.

           A questão é que, durante muitos anos os usuários desta droga eram usuários da classe pobre. É importante ressaltar que o ckack é o subproduto da cocaína e tem seu preço baixo, portanto é de fácil acesso de dependentes de baixo nível econômico, porém, seu custo baixo é uma ilusão, pois o uso produz um efeito avassalador no sistema nervoso central, mas de pouca duração, levando o dependente após o efeito consumir outra logo em seguida e assim consecutivamente. Enfim, a fissura é tão grande que leva o usuário usar muitas pedras em pouco espaço de tempo.

          É importante também dizer que há todo um ritual em consumo do ckack e algumas características que leva o dependente manter-se um comportamento de risco a sua vida constantemente.

          O ckack leva 10 segundos para fazer o efeito, gerando euforia e excitação; respiração e batimentos cardíacos acelerados, seguido de depressão, delírio e "fissura" por novas doses. "Crack" refere-se à forma não salgada da cocaína isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio. Os pedaços grossos secos têm algumas impurezas e também contêm bicarbonato. Os últimos estouram ou racham (crack) como diz o nome.

          Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também mais cruel e mortífero do que ela. Possui um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica. As primeiras sensações são de euforia, brilho e bem-estar, descritas como o estalo, um relâmpago, o "tuim", na linguagem dos usuários. Na segunda vez, elas já não aparecem. Logo os neurônios são lesados e o coração entra em descompasso (de 180 a 240 batimentos por minuto). Há risco de hemorragia cerebral, fissura, alucinações, delírios, convulsão, infarto agudo e morte.

         O pulmão se fragmenta. Problemas respiratórios como congestão nasal, tosse insistente e expectoração de mucos negros indicam os danos sofridos.

          Dores de cabeça, tonturas e desmaios, tremores, magreza, transpiração, palidez e nervosismo atormentam o craqueiro. Outros sinais importantes são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento de pressão arterial e transpiração intensa. São comuns queimaduras nos lábios, na língua e no rosto pela proximidade da chama do isqueiro no cachimbo, no qual a pedra é fumada.

         Com o passar do tempo o ckack deixou de ser droga da classe pobre, sendo usada também pela classe mais elevadas. Certamente este também tem sido o motivo da mobilização da sociedade está se fazendo em relação ao ckack, promovendo discussões e até mesmo se pensado em fazer Leis para procurar minimizar sua demanda fanççando o tratamento dos dependentes desta droga.

          É triste constatarmos que somente quando a classe mais elevada economicamente da sociedade é atingida por algum tipo de droga que ocorre toda uma mobilização, mas como diz o ditado, "de todo um mal Deus tira um bem". Isto é, a partir desta realidade talvez agora as classes mais pobres podem ser beneficiadas.

Ataíde Lemos
Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
O Amor Vence de Drogas

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Projetos de prevenção às drogas para pais














          É na família que se constrói a base da sociedade, pois é nela que ocorre a formação valores éticos, morais e espirituais. Certamente é esta educação responsável pelo caráter do Ser humano.

          Pois bem, um fato que constatamos é que, muito embora a dependência química deforme o caráter do dependente, isto é, ele deixa de lado parte de sua educação constituindo uma outra mórbida, ela não destrói por completo toda esta formação recebida. Outro fato interessante é que, é a partir desta educação familiar recebida que se obtém maiores resultados positivos tanto para aqueles que estejam em tratamento como também colabora para que o dependente tome a iniciativa de procurar solução para a doença adquirida.

          Os que mais sofrem com a dependência química são os pais – no caso de serem filhos dependentes. No entanto, são os pais que conseguem mais êxito na busca de tratamento, pois são eles os primeiros a receberem o pedido de ajuda dos filhos.

          Porém, o que observamos é que, infelizmente, os pais somente dão conta da dependência de seus filhos quando estes já se encontram num estagio avançado da doença e, por conseguinte, estão completamente despreparados para ajudá-los de maneira correta e assim, torna-se co-dependentes com grande facilidade.

          A grande maioria dos pais não conhece os sintomas do uso de drogas, ignorando atitudes estranhas dos filhos. Não procuram se informar sobre dependência química com participações em palestras ou lendo literatura sobre o assunto. enfim, agem como se o problema da droga estivesse somente na casa do vizinho.

          Também podemos observar que existe uma falha enorme do Estado em relação a projetos de prevenção às drogas para pais. Observamos que existem alguns projetos direcionados aos adolescentes, jovens, mas são raros projetos de prevenção as drogas aos pais. Em suma, falta orientação a eles de como prevenir que seus filhos entrem nas drogas.

          Normalmente, o acesso às drogas ilícitas (maconha, cocaína, ckack e outras) inicia pela licitas como o álcool e não há nada de projetos, oriundo do Estado em nível de mídia que oriente os pais, a não ser a lei existente que é proibido vender bebida as menores, que também não se dá publicidade a ela.

          A dependência química não ocorre de um dia para o outro. Muito embora,o ckak seja uma droga de grande poder de dependência ela não é uma droga de iniciação do adolescente. Sendo assim, para se chegar até ela o jovem já passou pelo álcool, pela maconha e infelizmente, o despreparo dos pais não os deixa perceber toda a mudança de comportamento e emocional que ocorre em seus filhos ao longo do tempo de uso, ao ponto que darem conta somente quando eles iniciaram no ckak.

          Enfim, trabalhar a prevenção às drogas é necessário que os projetos atinjam adolescentes e jovens como também as famílias. Todos sabemos o quanto é difícil alguém que envereda nas drogas consiga liberta-se, sendo assim, o melhor caminho é diminuir a demanda que ocorre por meio da prevenção.


Ataíde Lemos


Autor dos Livros escuro Drogas um vale e grande desafio para familia
O Amor Vence de Drogas



sábado, 8 de maio de 2010

Chegou tua hora



 







Em teu olhar vejo uma luz brilhar
Em tuas palavras sinto desejo de mudar
Parece já não mais agüentar
A vida, que até então, escolheu pra trilhar.

Sinto que se rendeu as tentativas
De se iludir e brincar com vida
Parece que precisa encontrar a saída
Para não viver de forma dividida.

Agora; é preciso não se iludir
Acreditando que desta é fácil sair
É necessário altivez e coragem para perseguir
No instante que a fissura ocorrer não desistir.

Serão inúmeros os momentos
Que surgiram desejos, maus pensamentos
Vontades mascaradas nos sentimentos
Para que abandone o tratamento.

Porém, com propósito e vontade de vencer
Mantendo a perseverança irá perceber
Que para ser feliz não é necessário viver
Drogando-se, inutilmente de si se esconder.

Ataíde Lemos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Internação involuntária é sinônimo de prisão







 



          A internação involuntária do dependente químico, nada mais é do que uma maneira sutil de prisão, isto é, retirar do meio da sociedade o dependente químico. Enfim, retornar ao passado onde o dependente químico era considerado doente mental, em outras palavras, um louco.

          Qualquer profissional de saúde que atua nesta área sabe que internação involuntária não resolve, não leva a pessoa deixar a dependência. Isto é, para que alguém vença a dependência química é fundamental o desejo partir dele.

         Atuo nesta área a mais de 12 anos e nunca presenciei alguém deixar as drogas por imposição, pelo contrario, os que venceram foi porque decidiram de foro intimo deixar as drogas e assim se posicionaram neste pensamento procurando tratamentos e hoje estão sóbrios mantendo uma vida saudável.

          É fundamental pensarmos que uma entidade onde se obrigue alguém permanecer involuntariamente precisará escolher um de dois métodos; um é dopar o dependente químico constantemente, porém, este artifício levará o dependente adquirir uma doença de ordem mental. O outro é usar da força, isto é, construir cadeias dentro das entidades e também punir o doente (preso) com a força e os métodos que se dispuser.

          Imaginamos hipoteticamente os dois métodos, partindo das primícias que para se deixar às drogas é necessária vontade do dependente: no primeiro caso, evidentemente este recuperando sairia dependente e doente mental da entidade, no segundo caso, como alguém iria deixar de usar drogas numa entidade onde seria maltratado? Como que todo o programa de tratamento iria ser concebido por ele (dependente), num local onde ele não deseja ficar? Onde ele é punido constantemente? Enfim, voltaremos às torturas do doente químico como no passado, depois de termo comprovado que a dependência química é uma doença. Enfim é algo que jamais pode ser concebido nos dias de hoje.

          Como um profissional no assunto, este argumento de prender o dependente químico é uma loucura, mas é algo que já se poderia prever diante a inércia e omissão do Estado. Todavia, se o problema do tratamento à dependência química fosse tratada com seriedade pelo Estado, isto é, dando condição de tratamento a todos aqueles que são dependentes e não possuem condições financeiras para se tratar a realidade seria completamente outra. A verdade é que o Estado em abordando de tratamento a dependência química nada faz e então, a sociedade perdida sem solução deixa ser levado por tais ideologias de segregação social. Enfim, para se resolver um problema esconde-o, ou seja, construa prisões para esconder ou proteger a sociedade dos doentes, como já ocorreu no passado com os dependentes químicos, os leprosos, etc.

         Em nosso País é assim, o Estado não cumpre suas Leis, e então sai punindo com novas Leis, que na verdade, isto nada mais é do que seu próprio certificado de incompetência. Dou aqui alguns exemplos: uma pessoa é condenada à 20 anos de cadeia, sai com 3 a 5 anos, então observamos a violência aumentar pela impunidade do crime. O Estado não implementa na integra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e então, procura diminuir a idade penal. Agora outro exemplo; não dá acesso de tratamento ao dependente químico construindo centros de tratamento e nem apóia financeiramente inúmeras entidades como as Comunidades Terapêuticas e clinicas e então, resolve literalmente construir prisões para os dependentes químicos.

         Ataíde Lemos

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Recaídas














          Uma das palavras mais ouvidas quando discutimos drogadição é a palavra recaída.

          Gostaria de iniciar este texto partindo iniciando sobre os tipos de tratamento. Há varias abordagens de tratamento para dependência química. Existe tratamento clinico medicamentoso; há o tratamento psicoterapeuticos individual; há os grupos de mutua ajuda que envolve a psicologia comportamental e espiritualidade e por fim, há o tratamento realizado pelas Comunidades Terapêuticas, que é um tratamento psicoterapeutico sem uso de medicamento e enfatizado por uma determinada espiritualidade. Além, de todas estas abordagens, ainda existe aquela que é feita de maneira aberta e sem metodologia definida, seria aquelas onde o dependente químico pode buscar informações através da mídia, literatura sobre drogas.

          Primeiramente, quis fazer este comentário inicial sobre o tratamento, para falar sobre a recaída e dizer que já estamos precisando repensar nesta nomenclatura e definindo melhor esta etimologia.

          Segundo meu ponto de vista, como sempre enfatizo, a dependência química é uma doença bio-psico-social, porém a abordagem para o tratamento é quase exclusiva a nível psicológico, digo isto, porque entendo que é através de um trabalho psicológico é que o dependente mantém a sobriedade, haja vista, que não existe cura definitiva para aquele que adquiriu a doença. Todo processo de tratamento é visando um trabalho preventivo, educacional e comportamental para que o dependente não faça o primeiro uso.

         Partindo do principio que, a pessoa que procura tratamento sempre passa por varias abordagens terapêuticas obtendo varias experiências empíricas, isto o leva a um desenvolvimento psicológico de vencer a drogas, ocorrendo uma mudança sistemática de comportamento e conhecimento sobre a dependência.

          É comum vermos pessoas que passam por tratamento relacionados à dependência química que voltam para as drogas, porém, são fortes os suficientes para o retorno da sobriedade com certa facilidade. Não tenho duvidas que isto esteja relacionado a toda esta estrutura adquirida em muitos tratamentos. É neste sentindo que dizemos que o tratamento é lento e demorado, pois para alguns é através de varias recaídas e com o conhecimento somando-se ao desejo de vencer as drogas que vários conseguem deixar-la definitivamente.

          Olhando por este prisma, as recaídas devem ser vista também como parte do processo de tratamento, desta forma, não há necessidade do desespero nem dos que são dependentes químicos ou mesmo dos familiares. Poderíamos dizer que, até certo ponto, o tratamento em si é teórico mesmo que esteja numa abordagem onde o paciente possa experenciar todas as reações orgânicas, psicológicas, e crises de abstinência.

          As recaídas são a pratica do confronto entre a realidade da teoria com a realidade da dependência particular de cada um. O resultado está certamente no que quer o dependente para sua vida já de posse de todo conhecimento e estrutura psicológica existente em seu consciente.
Um dependente químico que almeja a sobriedade e a busca, jamais aceita naturalmente os momentos de recaídas instantâneas, pois ele sofre, e assim de posse do que sabe constrói mecanismos próprios para de restabelecer a sobriedade novamente.

          Finalizando, diria que as famílias, os dependentes químicos jamais devem entrar em crises quando se depara com recaídas simplesmente, mas sim ter a certeza que estas voltas às drogas ou bebidas compulsivas são instantâneas e rápidas. A atenção deve estar mais na estrutura emocional, no objetivo e no que pensa aquele que recai em relação às drogas.

Ataíde Lemos

Autor dos livros
Drogas um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas

domingo, 18 de abril de 2010

Drogas e as dificuldades para o tratamento


Quero desenvolver um assunto, que segundo meu pensamento é extremamente importante e que está relacionado às dificuldades que as famílias e os dependentes químicos encontram para de buscarem tratamentos ou orientações. Estas dificuldades são:




Ø O preconceito, os estigmas e os mitos que rodeiam os dependentes e suas famílias.

Ø A falta de informação sobre a doença da dependência química.

Ø A Coodependencia.

Ø Questões financeiras.


Preconceito, os estigmas e os mitos que rodeiam dependentes e suas famílias.

É comum aqueles que estejam envolvidos com drogas serem taxados de vários adjetivos negativos, serem olhados com indiferença por grande parte da sociedade. É também muito comum familiar destes (dependentes químicos) serem responsabilizados como se fossem culpados por seus filhos terem contraído a doença da dependência química e assim, serem também excluídos de seus meios sociais. É comum a sociedade afastar de envolvidos com drogas, como se a dependência fosse uma doença contagiosa e a simples amizade, o contato já significasse um contagio. Este afastamento não atinge tão somente o usuário, mas também sua família. É comum dependência química ser sinônimo de bandidagem, delinqüência, vagabundisse e vários outros pejorativos. É comum o famoso jargão que é atribuído ao dependente químico “litro que vai querosene não sai mais o cheiro”.

A psicologia afirma que quando somos demasiadamente rotulados o inconsciente acaba assumindo tais estigmas e isto se confirma no caso da dependência química, pois varias vezes conversando com dependentes se consideram uns lixos e nos questionam; porque perder tempo com eles se não valem nada, muitas vezes duvidando até mesmo de nossa ajuda.

A maioria das famílias adoece emocionalmente por se culparem pela doença de seus filhos, atingindo estágios elevados de coodependencia devido a fatores externos que são os estigmas e o preconceito da sociedade. Então, fica uma reflexão: como se expor e buscar ajuda ou tratamento com todo este preconceito, rótulos e estigmas existente em torno da dependência química? Portanto, não é somente o ente dependente que provoca uma coodependencia na família, mas de uma maneira geral a sociedade também tem sua co-responsabilidade.

A dependência química tem suas características especificas que impede a pessoa de procurar ajuda, no entanto, com estes fatores externos mencionados torna-se um complicador a mais na tomada de atitude para os familiares e o dependente tratar-se.

A falta de informação sobre a doença da dependência.

Como disse acima o preconceito, o estigma, os mitos colaboram em muito, para que não se busque informações sobre a dependência química. Sendo assim, a falta de informação e apoio psicológico é um fator fundamental para o aprofundamento seja da pessoa envolvida com drogas, seja do seu familiar.

No entanto, há também aqueles que são de responsabilidade da família que contribuem para o aprofundamento de seus entes nas drogas e colaboram para sua co-dependência, fatores estes que ocorrem por ignorância, comodidade, estrutura social e emocional, cultural familiar, etc. E isto se deve à família estar envolvida em seus conceitos de valores que influencia comportamentos de seus filhos, mas sobre tudo, não buscarem informações como meio de prevenção as drogas.

Nós que atuamos nesta área, observarmos que em palestras é uma minoria que está interessada obter informações sobre dependência química. Normalmente são aquelas que já possuem um ente em fase avançada da doença. Observamos também que a maioria do público participante de tais eventos comumente são; especialistas na área da saúde, profissionais da área da educação e as pessoas que atuam em alguma entidade. Em suma, são pessoas que geralmente estão ligadas ao tema.

Não se deve buscar informação sobre dependência química apenas quando se vive o problema, mas como forma de prevenção. Não basta fazer palestras para crianças, adolescentes, jovens se a família não faz sua parte, isto é, não se informa sobre as drogas. É fundamental que ocorra um trabalho de conscientização onde possa reverter este quadro de inércia, de comodismo das famílias, fazendo-as saírem do conforto de suas casas e buscarem informações para que ela tenha maior conhecimento sobre a dependência química estando preparada e com as ferramentas adequadas caso venha a ter problemas de drogas no lar.

Em suma, a informação sobre drogas deve ser constante e de formação permanente. Todos são responsáveis nesta formação desde as empresas, as entidades religiosas, as instituições governamentais ou privadas. É mais fácil uma empresa, instituições governamentais, repartições públicas, entidades religiosas levar famílias a participarem de encontros do que voluntários simplesmente promoverem tais encontros. É preciso investimentos de recursos humanos e financeiros; disposição e prioridade para que a prevenção atinja maior número possível de crianças, jovens, mas sobretudo, de famílias.



A Coodependência.

Qual família que tenha um ente dependente e que não acaba tornando co-dependente? Acho que podemos contar nos dedos. Na realidade, de uma forma ou de outra, a família acaba sendo envolvida com o ente dependente e assim, adoecer-se também. É importante ressaltar que mesmo com toda uma estrutura de conhecimento, ainda assim, a família não está isenta de se adoecer, pois a dependência desestrutura qualquer pessoa, principalmente os pais, afinal quando lidamos com sentimentos, emoções dificilmente a razão consegue ter um domínio sobre a situação.

A coodependência é um assunto extenso, pois na realidade ela, segundo meu ponto de vista, está inserido dentro da estrutura psicológica da sociedade, da família e do Ser humano. Também ela está relacionada às questões culturais, sociais e de comportamento. O fator essencial para que a coodependência não seja tão acentuada está na espiritualidade e no conhecimento sobre a dependência que se adquire na participação de grupos de mutúa ajudas e por meio da literatura. A co-dependência se adquire tanto pela influencia do ente que é dependente – uma característica da dependência química é levar o usuário a torna-se o outro coodependente – mas também ocorre por fatores acima abordado.

Segundo meu ver, o estado de um co-dependente é ainda pior do que aquele propriamente dependente, pois ele (co-dependente) se encontra doente de tal forma que percebe. Muitos co-dependentes têm comportamentos mais acentuados que o ente usuário de drogas. Alias, muitos co-dependentes também são dependentes, pois é comum fazerem usos de medicamentos psicoativos como calmantes e outros psicoativos como também é comum vermos familiares com comportamentos adictos. Mas ainda assim, acredito que a partir de um trabalho de desestigmatização da dependência química que ocorre através da informação, do conhecimento é possível minimizar sensivelmente o grau de coodependência da família.

Questões financeiras.

A questão financeira é uma das grandes dificuldades seja da família, seja das entidades de tratamentos, pois na verdade, sem uma política pública real e efetiva no que tange ao tratamento para portadores de dependência química e seus familiares anulam-se as etapas superadas daqueles que desejam tratar-se. Nada adianta assumir a doença se não encontra tratamento adequado pela falta de dinheiro das entidades, ou se as famílias carentes não tem acesso a ele.

Segundo novos modelos de tratamento a dependentes químicos, seu custo torna muito elevado financeiramente, por exige vários profissionais da área de saúde em diversas especializações. É necessária uma equipe multi e interdisciplinar envolvendo profissionais da área da saúde e da educação. Também nos casos de internações há toda uma norma exigida pela Vigilância Sanitária (ANVISA) que requer uma estrutura nas entidades que necessitam de um volume de recursos alto para seu funcionamento. Sendo assim, somente as famílias de alto poder aquisitivo acabam tendo um tratamento de qualidade, deixando fora dele a grande maioria da sociedade.

Infelizmente, varias entidades que oferecem tratamentos nesta área têm fechado suas portas pela falta de recursos financeiros e pela inércia do Estado. Em sua grande maioria aquelas que ainda insistem em proporcionar atendimentos não podem dar um tratamento adequado pela falta de recurso financeiro em que se encontram. Normalmente, as entidades, em sua maioria, são mantidas com recursos originados de doações de pessoas abnegadas da sociedade ou mesmo de alguns familiares de pacientes que estejam em tratamento. Devido esta falta de recursos elas não têm como contratar profissionais capacitados nesta área. É uma ilusão imaginar que o profissional vá trabalhar voluntariamente – com algumas exceções. O trabalho voluntário não tem como exigir compromisso, pode até se criar regras, mas não funciona. Quem faz por amor não pode ser exigido a não ser pela sua própria consciência. Grande parte das entidades ainda funciona por recorrerem a seus próprios recuperandos que estão em fase avançada no tratamento tornando-se voluntários dentro dela, juntamente com alguns poucos voluntários que, por sentimentos cristãos,colaboram de uma maneira ou de outra.

Ainda que entidades tenham título de filantropia, precisa estipular cotas para vagas de carentes, senão, elas fecham suas portas nos primeiros meses de funcionamento. É impossível manter 30, 40 recuperandos internados servindo 4 refeições diárias, banhos, energia elétrica, custos operacionais e com profissionais sem que haja recursos financeiros para tais compromissos.

Outro fator complicador que ocorre pela falta de recurso está relacionado ao preconceito que existe em torno do dependente químico. Grande parte da sociedade tem conceito errado sobre dependência química, e isto os levam a não contribuírem com entidades que atuam neste seguimento. “Quem vai ajudar entidades deste gênero, isto é, colaborar com entidade que cuida vagabundos?” “Quem deixará de colaborar com entidades como abrigos para idosos, crianças para colaborar com entidades que trabalham com drogados?” Enfim, está é ainda a mentalidade de grande parte da sociedade.

Existem poucas instituições para tratamento de dependentes químicos que são apadrinhadas, recebendo recursos do Estado e de grandes organizações não governamentais do Brasil e do exterior, no entanto o restante vive das sobras que caem das mesas dos ricos. A maioria esmagadora das entidades sobrevivem porque famílias piedosas acabam colaborando financeiramente, por meio de doações e também porque muitas instituições produzem algum tipo de produto pelos seus internos e saem vendendo, através deles mesmo porta a porta.

Enfim, há vários obstáculos que são fatores fundamentais fazendo muitos não procurarem e ou conseguirem tratamentos, fatores estes que estão relacionados ao preconceito existente em torno da doença da dependência química. Obstáculo ocasionado pela desinformação da sociedade devida falta de interesse na prevenção e por fim, na inércia do Estado, que faz muito marketing em torno das drogas, mas que não proporciona políticas públicas em relação ao tratamento desta doença, deixando as famílias e as entidades à mercê pela sua omissão.

Ataíde Lemos

Autor dos livros
Drogas um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas

terça-feira, 30 de março de 2010

O que fazer diante de um ente dependente?

















         Às vezes passamos por determinados momentos, em que perdemos o rumo e ficamos sem saber o que fazer, ou melhor, sem nada poder fazer. Eu tenho me deparado muito com esta situação, no atendimento às famílias que têm um ente dependente químico que se recusa a se tratar, ou quando ele dá entrada numa clínica e logo a abandona. Então me perguntam: o que fazer?

          Pois bem, esta resposta infelizmente é difícil de dar a elas, porque há muito pouco a se fazer por seu ente dependente, no entanto, muito se pode fazer por sua família. Primeiramente, é fundamental agir com a razão nesses momentos, porém outra pergunta se faz: como agir com a razão quando o coração fala mais alto? Quando de alguma forma a família se encontra também doente?

          Neste caso, penso que a família precisa procurar ajuda, seja através de profissionais da área de saúde ou mesmo em algum grupo de mútua ajuda, direcionado às famílias de dependentes químicos, pois a dependência desgasta emocionalmente, adoecendo todos os membros da família.

          Partindo da primícia, que para alguém que se encontra dependente, pouco se pode fazer, ou seja, que a decisão de tratar-se deve e precisa partir dele, os outros membros da família precisam manter a serenidade, para que a vida possa continuar apesar da situação difícil que estão vivenciando. Isto não implica em hostilizar o ente dependente, pelo contrário, se faz imprescindível dar-lhe atenção, carinho e mostrar-se sempre disposta à ajudá-lo quando ele desejar, porém deixar claro, que a vida continua e que a família não vai viver em função dele e por fim, que será ele mesmo quem assumirá as conseqüências dos seus atos. Muitas vezes, por amor, acabamos nos deixando envolver a tal ponto, que nos tornamos carta de baralho ou peça de xadrez nas mãos de nossos entes dependentes e eles usam e abusam de nossos sentimentos, com o intuito de conseguir dinheiro para comprar drogas ou mesmo para que não o incomodemos.

         Em suma, a melhor maneira de ajudar um ente dependente a tomar uma atitude, é a família dar o primeiro passo, ou seja, procurar ajuda psicológica e passar a conhecer melhor o que é dependência química e quais são as características dela, para que não seja envolvida emocionalmente por esse ente e assim, poder ajudá-lo de fato, sem ser manipulada por ele.

          Particularmente, acho muito interessante a metodologia usada pelos grupos de mútua ajuda, pois seu grande êxito está na interatividade e na empatia que proporciona aos membros participantes, através da troca de experiências entre eles. Sem dúvida, quando conseguimos partilhar nossas emoções, realidades e dificuldades, o fardo tende a se tornar mais leve, principalmente quando nos deparamos com realidades piores que as nossas, o que nos traz um certo conforto e força para superação dos problemas. Ainda é preciso dizer, que os grupos de mútua ajuda são envolvidos por uma mística espiritual, que colabora para a paz interior dos participantes, permitindo um desenvolvimento produtivo nas reuniões, que transcorrem em harmonia e com uma energia positiva, a qual eles levam para os seus lares.

Ataide Lemos
Autor dos livros Drogas um vale escuro e grande desafio para familia
O Amor Vence as Drogas

Revisão
Vera Lucia Cardoso

Comunidade Terapêutica Jeová Shalom

Gostaria de deixar neste tópico informações para aqueles que tem problemas relacionado às drogas e deseja tratamento.Somos diretores uma entidade para tratamento a dependentes químicos chamada “Comunidade Terapêutica Jeová Shalom”.Já atuamos nesta área de tratamento há quase 12 anos.
Para maiores informações aqui estão dados da entidade para aqueles que estão a procura de tratamento.

· A entidade se localiza na cidade de Ouro Fino sul de Minas Gerais, está há 200 km de São Paulo, 480 km do Rio de Janeiro e 490 km de Belo Horizonte. A instituição trata apenas o sexo masculino.

· A instituição é evangélica: Isto não significa que somente atende a evangélicos, pelo contrario, a entidade recebe todos sem distinção de credo, raça, etnia, etc. no entanto, os princípios da espiritualidade é Cristã.

· É proibido fumar cigarro de tabaco. Segundo entendimento da entidade tabaco é também uma droga que precisa ser combatida. Muitas vezes o próprio uso do cigarro acaba sendo um fator de levar o dependente a ter suas recaídas.

· O tratamento se dá através do tripé; Laborterapia, espiritualidade e reunião de grupos. A reunião de grupo é subdividida em palestras, dinâmicas e os doze passos.

· O tempo de duração do tratamento é de seis meses divididos em: dois meses para desintoxicação, dois para conscientização e mais dois anos destinado a ressocialização.

· Embora a entidade esteja registrada nos órgãos públicos, como ocorre com a maioria das Comunidades Terapêuticas não recebe verbas dos poderes públicos e como tem que se manter, ela pede a titulo de doação uma contribuição de R$ 250,00 mensais para poder custear as despesas de manutenção da instituição.

Pois bem, estas são as informações básicas, caso há interesse basta entrar em contato:
potifar@hardonline.com.br

Presidente:
Apostolo Profº Roberto Wagner Alves Ferreira